Maria Tereza Boccardi
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha
O inquérito administrativo da Capitania Fluvial do Rio Paraná, que apurava as prováveis causas do acidente entre dois barcos infláveis do passeio turístico Macuco Safári nas Cataratas do Iguaçu, aponta o piloto Cândido Siqueira, de 23 anos, morto no acidente, como o possível responsável pelo choque das embarcações. O acidente, ocorrido em setembro, matou sete pessoas e feriu outras três. O passeio continua suspenso por tempo indeterminado.
O capitão Luiz Carlos de Oliveira, responsável pelas investigações, disse que Siqueira desrespeitou uma das regras do ‘‘Regulamento Internacional para Evitar Abalroamentos no Mar’’, que orienta pilotos em canais estreitos a permanecer o mais próximo possível da margem direita. Baseado nos depoimentos de testemunhas e turistas que sobreviveram, o piloto teria feito uma manobra que conduziu o barco para o lado oposto, o que provocou o choque com a embarcação que subia o Rio Iguaçu em direção às Cataratas.
Oliveira também concluiu, após assistir a reconstituição do acidente e analisar as imagens feitas por um turista que participava do passeio, que o piloto da outra embarcação estava cerca de 10 metros da margem argentina, em acordo com a regulamentação. ‘‘Acho que foi imprudência. Se havia algum obstáculo próximo da margem, ele só poderia ter desviado até o meio do leito do canal.’’ O capitão explicou que o barco que desce o rio sempre tem prioridade em relação aos que sobem.
O acidente ocorreu quando a embarcação maior, onde estavam 23 passageiros, passou sobre o barco menor – pilotado por Siqueira –, que transportava outros nove turistas. O impacto fez o barco menor virar, arremessando os feridos para dentro da água. Os passageiros da embarcação maior nada sofreram.
No inquérito, a empresa Ilha do Sol Turismo, exploradora do Macuco Safari, não é apontada como responsável porque estava com as embarcações documentadas e vistoriadas. Os pilotos também possuíam documento de habilitação e treinamento de seis meses que recebiam antes de conduzir sozinhos as embarcações.
O inquérito foi enviado em outubro para o Tribunal Marítimo, composto por juízes civis e militares, no Rio de Janeiro, para que seja julgado dentro de um ou dois anos.

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