Maringaenses vão às ruas por mais segurança
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sexta-feira, 16 de setembro de 2005
Giancarlo Franquini<br> Especial para a Folha 
Maringá - O sentimento de insegurança levou cerca de 6 mil pessoas à Avenida Brasil ontem, em Maringá, para protestar contra a onda de crimes violentos ocorridos nos últimos meses. Autoridades, representantes de mais de 100 entidades de classe e a comunidade em geral estiveram presentes no culto em frente a loja do empresário Rubens Orlandine, assassinado no último sábado. Depois, todos caminharam pelo centro carregando faixas onde pediam mais segurança na cidade. A maioria dos lojistas fechou as portas durante o ato. O comércio de Sarandi e Paiçandu, cidades vizinhas a Maringá, também fechou as portas e liberou funcionários para participar do protesto.
Após a manifestação, que durou pouco mais de uma hora, autoridades e representantes de entidades de classe se reuniram na Associação Comercial e Empresarial de Maringá (Acim) para elaboração de uma carta aberta ao governo do Estado. Os deputados Federais e Estaduais que representam Maringá serão os encarregados de levar o documento até o governador Roberto Requião (PMDB).
Na carta, o Conselho Comunitário de Segurança de Maringá, junto com outras dezenas de entidades, pedem mais 200 policiais para Polícia Militar e mais 30 para Polícia Civil. ''A população está sendo vítima dessa falta de investimento. Hoje, temos 20 policiais militares nas ruas para uma população de mais de 300 mil pessoas'', desabafou o presidente do conselho, Everaldo Belo Moreno.
Segundo ele, a participação da comunidade foi maciça. ''A população atendeu ao chamado e participou. Foi uma grande manifestação de que o anseio por mais segurança em Maringá é grande''. Mas ele lembrou que o ato de ontem foi apenas o primeiro passo de uma série de eventos para debater a questão da segurança na cidade. No domingo acontecerá uma manifestação contra a violência no trânsito, que esse ano já matou 46 pessoas em Maringá. A passeata sairá da frente do Paço Municipal, às 15h30.
''Segunda-feira vamos reunir todas as entidades para discutir novas ações. Nossa intenção é fazer uma campanha que envolva a comunidade e sensibilize o governo. Temos que resolver o problema, antes que nossa estrutura policial fique completamente degradada'', explicou Moreno.
O prefeito de Maringá, Silvio Barros (PP), também caminhou com manifestantes e afirmou que o governador deve se sensibilizar com o pedido. Segundo ele, não houve ofensas contra o governo e sim uma cobrança justa de aumento de policiais.
Barros ficou satisfeito com o número de pessoas presentes no ato, porque demonstrou como a sociedade pode se organizar em busca de melhorias. ''O importante agora é darmos continuidade nas ações e fazermos o que está ao nosso alcance. As polícias Civil e Militar sempre receberam ajuda em Maringá, mas não temos como contratar novos homens'', observou.
Força-tarefa - A Secretaria de Seguança Pública do Paraná rebateu as acusações do Conselho de Segurança afirmando que vários investimentos estão sendo feitos em Maringá. A secretaria cita a operação denominada Sarandi Segura, feita na quinta-feira em conjunto com órgãos públicos, como Prefeitura, Polícias Federal, Civil, Poder Judiciário e Ministério Público.
Sarandi tem uma população de 100 mil pessoas e, de acordo com o Conselho de Segurança, apenas cinco policiais fazem o policiamento da cidade, por turno. Ontem à noite, apesar da operação iniciada na quinta-feira, uma pessoa morreu, vitima de esfaqueamento. (Colaborou Marta Ortega)


