Maringaenses insistem no sonho português
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quarta-feira, 22 de novembro de 2006
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
A chance parecia única e certa. Casa, comida e salário de 4 mil euros para tentar a vida em Portugal seduziram famílias maringaenses. Em menos de sete meses, no entanto, o sonho virou decepção para parte dos aventureiros. O projeto de repovoamento de Vila de Rei, região central do país europeu, ficou para trás e os paranaenses buscaram outras localidades, com o objetivo de garantir um futuro melhor longe da terra natal.
O próprio sucesso ou fracasso do projeto não é unanimidade. Nem mesmo entre os participantes. Enquanto o cabo de guerra entre defensores e opositores da iniciativa persiste, os emigrantes lutam para superar as dificuldades.
Dois casos emblemáticos são os das famílias de Pedro Luís Ramos de Oliveira, 50 anos, que trabalha com publicidade, e da jornalista Cecília Fraga, 42. Enquanto o primeiro elogia, apesar de ter deixado Vila de Rei, a segunda não poupa críticas ao projeto.
A verdade é que apenas uma das quatro famílias que viajaram permanece em Vila de Rei. É o caso da psicóloga Letícia Duarte, 34 anos, que por estar grávida não teria condições de deixar a localidade.
As outras três famílias estão tentando a sorte em outras cidades. Pedro Oliveira, a esposa e os filhos estão morando num aparetamento alugado em Sertã e se dizem adaptados à nova realidade.
Parte dos problemas do projeto ocorreram, de acordo com Oliveira, porque Cecília Fraga se auto-intitulou líder do grupo. ''Ela não se deu bem, mas não pode falar por todos'', critica. ''Vim pra cá e comecei a trabalhar e, com os pés no chão, estou progredindo. Não me arrependo e não pretendo voltar'', acrescenta.
A jornalista, porém, não poupa críticas ao projeto de repovoamento. Segundo ela, os termos acertados entre a Câmara de Vila de Rei e os brasileiros, principalmente relacionados aos empregos e alimentação, não foram cumpridos. A informação é rebatida pela organização do projeto no Brasil e em Portugal, que garante que o acordo foi cumprido e a prova é que as famílias, mesmo as que não vivem mais em Vila de Rei, não pretenderiam voltar para o Brasil.


