Um dos túneis ferroviários do Novo Centro de Maringá foi transformado em área de lazer pelos moradores do centro da cidade. As águas represadas da chuva dentro do túnel acabaram se transformando numa lagoa de 80 metros de comprimento, onde foram jogadas 200 matrizes do peixe tilápia do nilo. As matrizes procriaram e, anteontem, um rapaz, por acaso, pescou uma tilápia. A notícia se espalhou e ontem cerca de 50 pescadores foram tentar a sorte no local.
O túnel foi construído há dois anos, mas as obras foram interrompidas por falta de verbas. Segundo o procurador jurídico da prefeitura Otávio Salvadore faltam R$ 5 milhões para o término das obras do túnel por onde deverão passar os trens que entram e saem da cidade.
A lagoa está localizada na passagem subterrânea da Avenida Pedro Taques. Uma parte da lagoa fica do lado de fora do túnel, local preferido pelos pescadores. Ontem, em apenas meia hora de pescaria, o funileiro Antônio Fortunato de Souza, 29 anos, já havia pescado mais de 20 tilápias pequenas. ‘‘Uso carretilha e minhoca. Hoje (ontem), com certeza, vamos ter peixe no jantar’’.
PesqueiroOs moradores usam as paredes do túnel inacabado para alcançar a lagoa onde estão as tilápiasO entregador Aírton Barbosa da Silva, 25 anos, de Londrina, parou na Avenida Pedro Taques para ver o que estava acontecendo. Quando soube dos peixes, disse que ‘‘a prefeitura deveria aproveitar e cobrar por quilo de peixe e com o dinheiro terminar as obras do túnel’’.
Contra mosquitos As matrizes de tilápia foram jogadas no túnel pelo dono do ferro-velho que fica ao lado da lagoa, Sílvio Lima, 50 anos. Ele explicou que em agosto do ano passado, com o crescimento da lagoa, começou a ficar preocupado com pernilongos, borrachudos e até mesmo mosquitos causadores da dengue. Um amigo dele que possui um pesqueiro doou as 200 matrizes. ‘‘Tive apenas a preocupação de evitar possíveis doenças. Os peixeis movimentam a água e comem os insetos, afastando o perigo. Mas agora vejo que esta pescaria pode se transformar num esporte perigoso, pois os pescadores podem cair e se machucar’’.
Há uma semana técnicos da Secretaria do Meio Ambiente de Maringá e da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) estiveram no local para fazer a medição da lagoa e ver se era necessário jogar inseticida biológico para evitar o mosquito da dengue. ‘‘Quando vimos os peixes ficamos tranquilos, não houve necessidade de jogar o veneno’’, informou o gerente de controle ambiental da secretaria Wagner Guedes.
Ainda segundo Wagner Guedes, a Secretaria do Meio Ambiente não tem nada contra a pescaria no local. Ele não sabe se a lagoa será esvaziada.

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