Maringá vai contestar dívidas antigas
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segunda-feira, 01 de março de 1999
Marcos Zanatta 
A Procuradoria-Geral da Prefeitura de Maringá pretende contestar todas as cobranças de dívidas das administrações anteriores. Estamos recebendo cobranças, muitas vezes judiciais, até de dívidas que não tínhamos conhecimento, diz o procurador, Otávio Salvadori. Ele calcula que até ontem, os débitos da prefeitura estavam em R$ 120 milhões, a maior parte de compromissos assumidos e não cumpridos por ex-prefeitos. A nossa preocupação é não empurrar essa situação para frente, diz Salvadori.
Ele revela que apenas na semana passada foram dois comunicados de cobrança de atrasados. O primeiro referente a um compromisso com a Rede Ferroviária Federal, e o segundo a uma desapropriação de área pertencente à União, que a procuradoria não tinha conhecimento. Já pagamos dívidas de 1984 e até de 1971, o que tem impedido qualquer tentativa de administrar dentro da normalidade, reclama. O excesso de dívidas tem mudado opiniões até sobre obras antes consideradas prioritárias para Maringá.
O principal alvo das críticas é o Novo Centro, obra que começou há mais de 10 anos e está parada há pelo menos dois. O prefeito Jairo Gianoto (PSDB), disse que o Novo Centro é desnecessário, e que não começaria um empreendimento desse porte. A prioridade na área seria apenas retirar o pátio de manobras ferroviárias, considera Salvadori. Ele diz que rebaixar os trilhos é desnecessário. A obra teve um custo monumental e ainda faltam pelo menos R$ 5 milhões para colocar o trem dentro do túnel. Apenas as obras do túnel já consumiram R$ 12 milhões.
Salvadori critica também os contratos realizados sem critérios desde o início da obra. Um deles gerou a cobrança judicial de R$ 12 milhões pela Rede Ferroviária. Com todas essas pendências a gente fica com dificuldades em manter a cidade, diz. Ele lembra que pela arborização e os vazios urbanos, que somam mais de 1,2 mil alqueires, o custo para administrar a cidade é alto. Precisamos de uma estrutura de pessoal e equipamentos bem maior para manter a qualidade de vida, que está comprometida por causa das dívidas herdadas.


