Maringá terá tecnologia alemã no tratamento de lixo
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segunda-feira, 23 de abril de 2007
Giancarlo Franquini<br>Especial para a Folha 
Maringá deve ser a primeira cidade da América Latina a implantar um novo sistema para o tratamento de lixo, que permite reaproveitar cerca de 70% dos resíduos domésticos. O Termo de Cooperação Técnica (TCT), entre o município e o consórcio alemão responsável pela nova tecnologia, foi assinado ontem. Para implantação do projeto-piloto serão gastos mais de R$ 3 milhões. Inicialmente, o TCT terá a duração de nove meses, mas poderá ser estendido conforme os resultados.
O novo processo de tratamento do lixo foi batizado de Biopuster e deve ajudar a recuperar o aterro municipal. Para implantação do sistema, serão construídos 14 células, com diversos contêineres, onde o lixo será depositado. Para implantação do projeto a Prefeitura de Maringá vai investir R$ 398 mil e o consórcio alemão R$ 2,67 milhões.
O secretário municipal de Meio Ambiente, Diniz Afonso, explica que o maior investimento do consórcio deve-se ao interesse da empresa de entrar na América Latina e Maringá será usado como projeto-piloto. ''Basicamente, o sistema funciona da seguinte forma. Será injetado oxigênio dentro dos containeres para acelerar a decomposição do material. Depois tudo é separado e apenas 30% do volume inicial vai para o aterro'', esclarece.
Segundo ele, no final do processo, a empresa retira a parte orgânica do lixo, e tudo ainda passa por uma esteira, onde será feita outra separação do material que pode ser reaproveitado. Cada contêiner recebe o tratamento de oxigênio por 30 dias. Afonso conta que muitos problemas enfrentados hoje no aterro, como emissão de gases e o chorume, serão eliminados no processo.
Outra vantagem da implantação do projeto é que o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) já aprovou o sistema. Na Europa, o Biopuster é usado para recuperar áreas de aterros degradados. De acordo com o procurador jurídico do município, Rogel Martins Barbosa, entre as diversas alternativas encontradas pela administração, essa foi a que mais trouxe benefícios.
''A empresa vai gastar um grande volume de recursos, porque tem interesse em usar Maringá como vitrine para chegar até outros municípios'', observa. Ele acredita que até o final de julho o sistema esteja em pleno funcionamento. ''Vamos analisar tudo até o fim do ano, para ver se o projeto poderá ser prorrogado'', completa.
Durante esse período, a empresa deve contratar perto de 100 pessoas para fazer a seleção do material reciclado e mais 20 pessoas para trabalhos administrativos. O consórcio terá direito de comercializar o humos produzido no processo e todo material reciclável como plásticos, vidros e metais.


