A Prefeitura de Maringá vai contestar a cobrança de uma dívida de R$ 12 milhões com a Rede Ferroviária Federal (RFF), que vem sendo rolada há quase 10 anos. O valor é referente a um contrato firmado entre o município e a RFF, durante a transferência do pátio de manobras do local onde está a obra do Novo Centro. Anteontem o prefeito Jairo Gianoto (PSDB), recebeu uma intimação da Rede cobrando o valor. Ele alega que não tem dinheiro para pagar, o que pode levar à execução da dívida. ‘‘Vamos tentar pelo menos reduzir o valor junto ao Ministério dos Transportes e a Rede’’, disse ontem à Folha o procurador-geral da prefeitura, Otávio Salvadori.
Ele explica que desde que assumiu, há dois anos, o prefeito vem tentando negociar o valor ‘‘politicamente’’. As contas da Urbamar (empresa responsável pela urbanização do Novo Centro) passam por uma auditoria. A dívida, segundo Salvadori, foi herdada das administrações anteriores. Quando o pátio de manobras começou a ser transferido, o então prefeito Ricardo Barros (PPB) fez um contrato de permuta de área e compromisso de realizar algumas obras no terminal da Rede.
O ex-prefeito Said Ferreira (PMDB) transformou alguns compromissos não-realizados em dívida, que deveria ser paga entre 1995 e 1996. ‘‘Os contratos foram feitos para não serem cumpridos’’, disse Salvadori. Ontem ele pediu um levantamento ‘‘histórico’’ da Urbamar para ter condições de argumentar sobre a redução da dívida. A empresa não divulga quanto foi investido até agora no Novo Centro. Segundo o presidente da Urbamar, Adriano Valente, a continuidade das obras depende da liberação de recursos pelo programa Paraná Urbano.
Segundo ele faltam o revestimento do túnel, que tem mais de mil metros de extensão, a conclusão de alguns aterros nos viadutos e a instalação dos trilhos. Apenas no túnel foram investidos cerca de R$ 21 milhões. Hoje a área do Novo Centro, com 210 mil metros quadrados, é o retrato do abandono. As estruturas metálicas e os barracões estão tomados pelo mato, e o local está virando ponto de desocupados, apesar da presença de um vigia municipal.

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