Maringá tem 'república' para estudantes
Maringá - Na Universidade Estadual de Maringá se formaram cinco indígenas e atualmente são 30 estudando. Segundo a coordenadora da Cuia na UEM, Rosangela Célia Faustino, a comunidade acadêmica recebe bem os alunos indígenas e a UEM também oferce monitorias específicas, como em Língua Portuguesa, Informática e Estatística. Rosangela cita como maior desafio formar os índios que têm como idioma materno a língua indígena.
Elvira Nivagtanh Crespim, 21 anos, saiu da aldeia Ivaí para estudar Pedagogia na UEM. Cursando pela segunda vez o primeiro ano, ela conta estar realizando não só o seu sonho como também o de seu pai, vice-cacique da aldeia, que desejava que um filho cursasse a universidade. ''Meu desejo é terminar o curso e voltar para dar aula lá'', conta.
Ela mora com mais uma menina e dois rapazes em uma espécie de república, no Centro Cultural da Associação Indigenísta de Maringá (Assindi). Distante cerca de dez quilômetros da UEM, o terreno conta com sete casas, uma escola e também um abrigo para os índios que vão para Maringá vender artesanato.
Casamento
Edinaldo e Josiele da Silva, de 25 anos, são estudantes de Direito e Educação Física, respectivamente. Também são pais de Luan, 5, e Alan, 2. Vindos da aldeia Laranjinha, próximo a Santa Amélia, moraram na ''casa dos solteiros'' no Centro, se apaixonaram e se casaram. Os filhos nasceram no Centro Cultural e vão para a aldeia apenas em datas especiais. Os pais estudam em períodos alternados, para cuidar dos pequenos.
Como outros estudantes, já começaram um curso, desistiram e trocaram para outros, o que justifica tanto tempo na cidade. ''Quando a gente vem para cá não tem noção do que será ensinado'', explica Edinaldo. Cursando o 2º ano, eles ainda precisam entrar em acordo sobre o futuro. Edinaldo quer permanecer na cidade, já que montar um escritório de advocacia na aldeia é complicado. Josiele pretende voltar a morar na comunidade e dar aulas para as crianças. (E.G.)





