Maringá tem oito crianças soropositivas
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 02 de dezembro de 1997
Marcos Zanatta 
Maringá
A miss Maringá Lilian Montelares e outras modelos de agências da cidade iniciaram ontem no final da tarde na cidade uma campanha de prevenção contra a Aids e de apoio aos portadores do vírus. Os voluntários e profissionais da área de saúde percorreram os postos de atendimento na periferia, realizaram palestras para trabalhadores, distribuíram camisinhas e fizeram uma vigília no Cine Teatro Plaza. A passarela da Solidariedaids, montada em frente a Praça Raposo Tavares, vai recolher donativos até hoje à tarde.
A principal necessidade dos organismos que trabalham no apoio aos soropositivos é leite de soja em pó e roupas. O leite é utilizado por pacientes em tratamento, principalmente crianças. Em Maringá, onde o primeiro caso foi diagnosticado em 1985, a saúde pública já detectou o vírus em oito crianças menores de 13 anos. A maior parte é de filhos dos primeiros soropositivos identificados na cidade. Maringá tem 213 casos confirmados de Aids, com 143 óbitos.
Dos casos notificados, a saúde levantou que 64% dos pacientes contraíram o vírus através de relação sexual, 20% por via sanguínea (transfusão e drogas injetáveis) e 12% por via não definida. Entre as crianças, em 4% dos casos a transmissão se deu durante o parto ou a gestação. O secretário de Saúde de Maringá, Ivan Murad, diz que, apesar do acompanhamento dos casos, as notificações feitas pelo setor público não representam a realidade. Ele diz que boa parte dos casos não chega ao conhecimento do poder público. São pacientes de clínicas particulares que exigem anonimato.
Em Cornélio Procópio (Norte do Estado), a programação do Dia Mundial da Aids foi desenvolvida na semana passada pela Unidade do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet), através do projeto Cimco (Cefet Integrado na Multiplicação do Conhecimento sobre Aids). Todos os alunos se envolveram num concurso de paródias sobre o assunto. O grupo de dança da instituição desenvolveu uma coreografia sobre a ação do vírus da Aids no corpo humano, apresentada em várias escolas da cidade.
O trabalho consiste em preparar alunos e funcionários para conviver com um possível portador do HIV, sem discriminação, explicou a psicóloga Simone Ecchele. (Colaborou Luciane Tonon, de Cornélio Procópio)


