Maringá suspende atendimento ao IPE
Lucinéia Parra
De Maringá
Hospitais, laboratórios e clínicas de raios X de Maringá suspenderam ontem o atendimento aos pacientes conveniados pelo Instituto de Previdência e Assistência aos Servidores do Estado do Paraná (IPE). Cerca de 16 mil servidores de Maringá e região foram atingidos pela medida. Alguns hospitais, como é o caso do Santa Rita, estão exigindo uma posição formal do ParanaPrevidência sobre a data de pagamento da dívida de R$ 853 mil para voltar a atender pelo IPE.
A maioria dos hospitais está sem receber desde janeiro deste ano, mas os laboratórios estão sem pagamento desde dezembro do ano passado. Desde o início da semana passada, o Sindicato dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Maringá, já tinha manifestado a intenção de paralisar o atendimento em função da dívida acumulada. A decisão foi ratificada em assembléia realizada na última sexta-feira. A suspensão do atendimento é por tempo indeterminado.
Ontem de manhã, a coordenadora regional do IPE, Miriam Pardo Antunes, passou boa parte do tempo tentando negociar com os hospitais de Maringá. Eles querem uma informação oficial do presidente do ParanáPrevidência, Miguel Salomão, sobre a data de pagamento da dívida, disse. Na semana passada, Salomão afirmou à imprensa que a dívida com os hospitais e laboratórios credenciados será quitada assim que se normalizarem os repasses de recursos à ParanáPrevidência. Segundo ele, parte dos recursos está bloqueada na Justiça devido as liminares concedidas a ações questinando as novas alíquotas. Salomão não arriscou nenhuma data para o pagamento da dívida.
As guias para as cirurgias e exames que já tinham sido agendadas, estão sendo fornecidas aos servidores, desde que os hospitais ou clínicas confirmem a intenção de atendê-los. Só não estamos fornecendo guias para os casos ainda não agendados porque não adianta, já que os hospitais e clínicas não estão atendendo, justificou Miriam.
O policial militar Valter Augusto de Oliveira, 35, não sabia o que fazer ontem de manhã ao procurar a unidade do IPE em Maringá. Ele tinha ido buscar uma guia para exame de sangue e internamento do filho Augusto, de um ano e um mês. O médico disse que o meu filho precisa ser operado com urgência, mas chegando aqui, eles (funcionários do IPE) falaram que os hospitais não estão atendendo. Até posso pagar o exame de sangue, mas para a cirurgia não tenho dinheiro. Segundo ele, todo mês são descontados R$ 120,00 do seu pagamento para o IPE. A gente não paga barato e mesmo assim fica sem atendimento, reclamou.Cerca de 16 mil servidores estaduais da região de Maringá estão sem atendimento em hospitais, clínicas e laboratórios
Marcos NegriniDesesperoValter Augusto de Oliveira e a mulher não sabiam para onde levar o filho que precisava ser internado para uma cirurgia; apenas em um hospital a dívida é de R$ 853 mil; os laboratórios não recebem do Estado desde dezembro





