Maringá

Marcos NegriniSoropositivoAla exclusiva para doentes de Aids do Hospital Santa Casa de Maringá: único credenciado pelo SUSMaringá tem hoje 207 casos de doentes de Aids notificados pela 15ª Regional de Saúde, desde 1980. ‘‘Este é o nosso número oficial’’, diz a responsável pela seção epidemiológica da Regional, Norico Miyagui Misuta. Destes, 139 já morreram - 155 são homens e 52, mulheres. Para cada três doentes de Aids um é do sexo feminino.
Norico explica que este número são de pessoas que já desenvolveram os sintomas da doença, de acordo com os critérios do Centro de Controle de Doenças (CDC) norte-americano, utilizado pelo Ministério da Saúde. ‘‘O número de portadores que ainda não desenvolveram a doença e mesmo daqueles que estão apresentando alguns sintomas mas ainda não completaram os critérios do CDC deve ser bem maior do que 207. Por isso esse número não reflete a nossa realidade. O tempo de incubação da doença pode ser muito longo, alguns com mais de dez anos, e sobre esses não temos controle algum’’, afirma. ‘‘Para o paciente ser notificado como doente de Aids, tem que ter determinadas patologias’’, explica.
A 15ª Regional recebe informações de hospitais, clínicas e laboratórios públicos para fazer seu balanço. Este ano, três novos casos já foram notificados pela Regional. Em 96, foram 32 casos notificados. Em 95, 51 casos. ‘‘Não dá para afirmar que o número de casos está diminuindo porque sei que existem pacientes nossos, aqui de Maringá, que estão fazendo tratamento em outras cidades, como Curitiba, e sobre esses também não temos controle, mesmo porque não foram atendidos na região’’, afirma Norico.
As pessoas que desejam fazer testes anônimos para saber se têm ou não o vírus devem procurar o Centro Regional de Saúde (CRE), órgão da Regional de Saúde, que fica na Rua Cidade de Leiria, no bairro Zona 4 de Maringá.
Atualmente, o CRE atende a 43 doentes de Aids (soropositivos que já desenvolveram a doença e precisam do coquetel, entre outros remédios). A diretora do Centro Regional de Saúde Irma Shiraishi diz que, entre 1986 e junho deste ano, 164 pessoas com suspeita de Aids já passaram pelo ambulatório do CRE. Nesses 11 anos, o Centro registrou a morte de 115 doentes de Aids (que fazem parte da lista oficial da 15ª Regional). O órgão não tem a estatística mensal deste levantamento.
‘‘O número de pessoas com suspeita da doença está crescendo em Maringá. Neste ano, estamos atendendo a uma média de cinco pessoas por mês’’, afirma Irma.
A médica Maria Teresa Coimbra, do Centro de Epidemiologia da Secretaria Municipal de Saúde, mostra os números de mortes provocadas pela Aids e registradas pelos hospitais de Maringá. Segundo este levantamento, em 94, foram 21; em 95, 15; em 96, 24; até maio deste ano, sete. O que dá um total de 67 óbitos nos últimos três anos.
‘‘O número de óbitos, com certeza, é bem maior. E os que têm dinheiro para fazer exames e tratamento particulares e que não passam pelos registros oficiais?’’, pergunta Irma Shiraishi.
O Laboratório São Camilo, um os maiores da cidade, faz uma média de 20 sorologias do vírus HIV todos os meses. O laboratório desconhece o resultado dos exames, que é entregue lacrado ao paciente. Para fazer a sorologia pelo método Elisa, o São Camilo cobra R$ 58,40. Quando o Elisa é positivo, automaticamente uma amostra do sangue é enviada para São Paulo, onde é feito o Western-Blot-Test, que confirma ou não o Elisa e custa R$ 219,00.
A Santa Casa é o único hospital de Maringá credenciado pelo SUS para atender os doentes da Aids. Em sua ala de doenças infectocontagiosas houve um aumento de 10% no atendimento de doentes com Aids nos últimos dois anos (a ala foi inaugurada em 95). Em maio de 97, o hospital atendeu oito pacientes - não houve óbitos. Em junho, a Santa Casa atendeu a 11 pacientes - houve um óbito.
‘‘É importante notar que, apesar do coquetel, que dá maior sobrevida, a doença não foi controlada e o número de mortes aumenta a cada ano’’, diz o médico Florisvaldo Martellozzo, diretor da Santa Casa.

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