Maringá A Prefeitura de Maringá quer evitar acidentes com tanques de lavar roupa, por meio de um acordo com os fabricantes e comerciantes de materiais de construção. Os acidentes, que já provocaram inclusive a morte de crianças, uma delas há cerca de dois meses, levou o município a tomar providências. Desde 1999, vigora uma lei municipal que obriga a prefeitura a fiscalizar o uso adequado de tanques nas residências, mas segundo os técnicos, a legislação é ineficaz na prática.
O secretário municipal de Desenvolvimento Urbano, Planejamento e Habitação, Ronaldo Ramos, diz que é praticamente impossível para os fiscais visitarem os atuais 107 mil domicílios da cidade para o cumprimento da lei. ''Além disso, não é legal entrar nas residências'', afirmou. Conforme o secretário, diante do perigo que representa os tanques mal fixados nas áreas de serviços ou quintais, os técnicos decidiram conversar com os fabricantes para mudanças nas formas que servem de modelos para o produto.
Ramos explicou que para corrigir o defeito o esfregador é a parte que desequilibra o tanque de concreto os pés devem ter projeção para o exterior do equipamento. ''Conversamos com os fabricantes e com os comerciantes e, a princípio, eles aderiram à idéia. Agora vamos nos reunir em janeiro para estudar até o lançamento de um selo de qualidade'', disse o secretário. Segundo Ramos, o acordo consiste na adequação de normas entre os fabricantes e o compromisso da prefeitura em fiscalizar empresas irregulares, como as fábricas de fundo de quintal.
O município não dispõe de números oficiais sobre os acidentes com tanques de lavar roupa. A engenheira civil Maria Regina de Oliveira Araújo Crachineski, especialista em engenharia de segurança do trabalho, tem um dos únicos levantamentos sobre a situação em Maringá e região. Maria Regina obteve as informações junto a hospitais, Siate e pediatras para o trabalho de conclusão da especialização.
Segundo ela, as estatísticas dos hospitais não separam os acidentes com tanques. ''Consegui obter do Hospital Universitário um dado de 1996 quando ocorreram 29 acidentes naquele ano'', informou. Conforme a engenheira, por estimativa ocorrem cerca de 100 acidentes por ano em Maringá e região, envolvendo principalmente crianças de dois a três anos. Do total, em média, 10% vão a óbito. ''A criança se apóia no esfregador e quando o tanque cai provoca o esmagamento de órgãos internos'', disse.
Para o fabricante de tanques, Darcy Redivo, a mudança implica em custos porque uma forma produzida em metalúrgica não sai por menos de R$ 500,00. Redivo afirma que o principal problema está no fato de que as pessoas não tem o devido cuidado ao adquirir um tanque. ''As pessoas não soldam a base no concreto ou não parafusam o tanque na parede, deixando o equipamento solto, fácil para provocar acidentes com as crianças'', lamentou o fabricante.

mockup