Maringá quer ajuda da região para saúde pública
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 19 de junho de 2002
Lucinéia Parra<BR>Equipe da Folha 
Maringá - Prefeitos de 30 municípios da região de Maringá estão sendo convocados para uma reunião extraordinária na próxima semana para discutirem o tipo de apoio que podem dar à saúde pública de Maringá, que fechou o ano de 2001 com um déficit de R$ 2,7 milhões.
De acordo com levantamento feito pelo Conselho Municipal de Saúde de Maringá, cerca de 50% dos pacientes atendidos no Hospital do Câncer de Maringá e Hospital Psiquiátrico de Maringá são da região. Diante dos problemas enfrentados por Maringá, o Conselho Municipal, com apoio do prefeito em exercício João Ivo Caleffi (PT), vai apresentar duas opções aos 30 prefeitos: ou ajudam com repasses de recursos para a saúde de Maringá, ou reforçam a ação política na tentativa de convencer o Ministério da Saúde a aumentar o Teto Financeiro de Média e Alta Complexidade de Maringá.
De acordo com Caleffi, os municípios têm que discutir o problema da saúde de Maringá porque muitos dos pacientes que hoje ocupam os leitos dos hospitais da cidade, são da região. Não é um problema só nosso, mas também um problema deles (municípios) porque os pacientes chegam em Maringá de todos os cantos do Estado, inclusive do Mato Grosso do Sul, afirmou. Segundo ele, Maringá está sendo penalizada pelo governo federal e estadual, no repasse de recursos para a saúde. Ele citou o caso do teto financeiro de Maringá que é de R$ 24,8 milhões anual, enquanto Londrina recebe R$ 62,2 milhões. De acordo com dados do próprio governo do Estado, conforme Caleffi, Maringá teve um déficit de R$ 2,7 milhões ano passado na saúde pública, enquanto Londrina e Curitiba tiveram, no mesmo período, sobras de R$ 3,8 milhões e R$ 956 mil, respectivamente.
O déficit mensal na saúde pública de Maringá gira em torno de R$ 300 mil. Já solicitamos uma reavaliação do teto financeiro porque os cálculos para o repasse dos recursos pelo Ministério da Saúde foram feitos em 1998, quando o município mandava a maioria dos pacientes para fora. Hoje esta situação se inverteu e o município atende toda a demanda local e da região, explica Caleffi. Segundo ele, o município está extrapolando os investimentos na saúde de Maringá. Mas é preciso a contrapartida do governo estadual e federal, acrescentou. Caleffi reclamou da falta de compromisso do governo do Estado com a inauguração da nova ala do Hospital Universitário e disse que o município ainda espera receber parte dos R$ 700 mil liberados pelo então ministro da Saúde, José Serra, no segundo semestre do ano passado. O governo do Estado recebeu os R$ 700 mil do governo federal porque nós estivemos em Brasília fazendo pressão, e até hoje não recebemos nenhuma parcela deste dinheiro, criticou. A reunião com os prefeitos da região deve ser marcada para segunda ou terça-feira da próxima semana.


