Maringá - O atendimento aos doentes de câncer é um dos principais geradores do déficit mensal de R$ 350 mil verificado na saúde pública de Maringá. Os números do município e um pedido de socorro foram lançados ontem durante reunião com 30 prefeitos das cidades ligadas a Associação dos Municípios do Setentrião Paranaense (Amusep). Além de problemas pela falta de Unidade de Terapia Intensiva (UTIs) pediátricas, o município de Maringá arca com a demanda no setor de oncologia de 136 municípios das regiões Norte e Noroeste.
Durante o encontro, o Conselho Municipal de Saúde de Maringá alertou que se em dois meses a Prefeitura de Maringá não encontrar uma solução em conjunto com a Amusep, o Hospital do Câncer vai passar a agendar as consultas. Isso significa um grave problema aos doentes de câncer que dependem de atendimento rápido e contínuo.
Segundo o prefeito em exercício de Maringá, João Ivo Caleffi (PT), o déficit do município no ano passado com o atendimento aos doentes pelo Hospital de Câncer ultrapassou R$ 1,8 milhão e nos quatro primeiros meses de 2002 chegou a R$ 800 mil. Caleffi disse que 49% das pessoas em tratamento com radioterapia e quimioterapia e 47% dos internamentos são de municípios da região. Para o prefeito, os municípios devem ajudar a Prefeitura de Maringá a pressionar os governos estadual e federal a aumentar o teto financeiro para a saúde. ‘‘Somos a terceira maior cidade do Estado, mas a oitava em teto financeiro’’, disse Caleffi.
O prefeito afirmou ainda que até agora o Governo do Estado não encaminhou para Maringá uma parcela dos R$ 700 mil enviados pelo Ministério da Sa© úde. Caleffi lembrou que o dinheiro foi conquistado graças a pressão feita pelo município. ‘‘Os prefeitos também devem nos ajudar a pressionar o governo do Estado a colocar em funcionamento a nova ala do HU (Hospital Universitário)’’, cobrou Caleffi. ‘‘O município tem estrutura, mas falta dinheiro para viabilizar o atendimento’’, disse o prefeito de Maringá. Segundo ele, o município deixou de ‘‘exportar’’ pacientes para a região desde a inauguração do Hospital Municipal. ‘‘Fazemos a nossa parte, mas o orçamento de Maringá não está mais aguentando’’, afirmou Caleffi.
Os prefeitos da Amusep pretendem entregar hoje ao secretário de Estado da Saúde, Luiz Carlos Sobânia, durante visita a Maringá, um manifesto sobre a situação da saúde pública da região.

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