O Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul) realizará adequações na Avenida Maringá, na Zona Oeste, que já está passando por uma reforma e modernização. As modificações ainda estão em estudo e devem ser feitas até novembro.
A revitalização teve início em julho deste ano, após a prefeitura realizar licitação para escolher a empresa responsável. As obras sempre foram cercadas por polêmicas. A fluidez do trânsito melhorou, mas há inúmeras reclamações em relação à falta de vagas para estacionamento e para carga e descarga, dificuldade em fazer conversões e acessibilidade para os pedestres.
A Maringá, uma das principais vias comerciais da região, ganhou um canteiro central em toda a sua extensão e isso tem causado alguns problemas. Já foram registradas algumas colisões de veículos que foram entrar na Maringá vindo das ruas adjacentes e bateram no canteiro. A reclamação é que a separação ficou muito alta e diminuiu a visão dos motoristas. ''No cruzamento com a Rua Tomazina existem três postos de combustíveis e vamos fazer um recuo no canteiro pois os grandes caminhões não conseguem fazer a conversão'', explicou o presidente do Ippul, Nelson Brandão.
Para os pedestres o canteiro ficou estreito e os locais com faixa de segurança diminuíram. ''Deveremos fazer algumas faixas elevadas para aumentar a segurança na travessia das pessoas'', relatou Brandão, informando que essas adequações serão realizadas por funcionários da própria prefeitura.
Para a vendedora Regina Lopes Duarte, que trabalha há sete anos em uma loja de decoração na Maringá a dificuldade é outra. ''Eu moro na Zona Norte e agora dou uma volta muito grande para chegar até a Tiradentes, já que não se pode fazer mais conversões'', explicou.
Segundo o Ippul, a retirada da rotatória no cruzamento da Avenida Tiradentes com a Rua Nilson Ribas aumentou ainda mais o fluxo de caminhões na Maringá. Agora, os veículos utilizam a avenida para fazerem o retorno e mudar de sentido na Tiradentes. ''Poderemos usar uma saída exclusiva para caminhões pela Nilson Ribas e limitar a passagem destes veículos pesados nos outros trechos da Maringá'', admitiu Brandão. O levantamento deve ficar pronto em 15 dias.
Recuo
Para os comerciantes e clientes que utilizam os serviços da avenida a grande dificuldade é a falta de vagas para estacionamento. Como não há mais possibilidade de se utilizar uma das faixas de rolamento para estacionar os veículos, as lojas estão usando o recuo das calçadas em frente aos estabelecimentos para a parada dos clientes. Mas nem todos têm esta possibilidade.
A empresária Renata Tavares Santos vai inaugurar um restaurante nos próximos dias e o imóvel não tem recuo. ''Outros comerciantes que estão na mesma situação reclamam que às vezes as pessoas passam em frente e querem parar, mas como não encontram lugar para estacionar vão embora'', reclamou.
A única alternativa destes clientes é parar os veículos nas ruas próximas da avenida. Porém, com a falta de vagas, até nessas vias é difícil encontrar espaço.
Com os carros ocupando o espaço nas calçadas, o pedestre também sofre. ''Temos que andar desviando dos veículos que estão estacionados. O espaço para nós diminuiu e ficou mais complicado'', ressalta a aposentada Edna Maria Bueno.
Noite
Quem tem também dificuldade para trabalhar no dia a dia são os entregadores de mercadorias nas lojas de móveis e decorações, que se destacam na região. Todos os espaços para essa finalidade foram retirados após a reforma. O motorista Eduardo Rodrigues relatou que a empresa de colchões em que ele trabalha precisou alugar um barracão em outra região da cidade para que os produtos fossem armazenados e depois trazidos para a loja. ''Tivemos que substituir um caminhão grande por um menor para que as entregas pudessem ser feitas aos poucos. Com este caminhão dá para usar as vagas destinadas aos clientes'', observou.
De acordo com o Ippul, a alternativa para resolver o problema é seguir o exemplo implantado na Duque de Caxias, com a liberação de uma faixa de rolamento para carga e descarga no período da noite. ''Poderemos destinar também alguns locais nas ruas do entorno da Maringá'', colocou Brandão. A Axial Construtora, responsável pelas obras, tem prazo até o fim de janeiro para entregar ao município a revitalização completa da Maringá.
Questionado sobre por que o projeto de revitalização não previu esses problemas, o presidente do Ippul admitiu que faltaram alguns estudos. Porém, ressaltou que assumiu o cargo há poucos dias.

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