Maringá pára de recolher animais em clínicas
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sexta-feira, 07 de fevereiro de 2003
Marta Medeiros<br> Equipe da Folha 
Maringá Uma notificação da Secretaria do Meio Ambiente de Maringá avisando que não vai mais recolher os animais mortos em clínicas veterinárias, a partir do dia 1º de março, causou indignação entre médicos e proprietários. O município alega que a coleta é desordenada e não obedece critérios para cobrança de taxa prevista no Código Municipal de Limpeza Urbana e na Lei de Responsabilidade Fiscal. Os veterinários afirmam que não têm local adequado para o descarte dos corpos e apontam alternativas como a construção de um cemitério ou uma parceria para ativar um aparelho crematório do Biotério da Universidade Estadual de Maringá (UEM).
Segundo os veterinários, a desova de animais mortos em terrenos baldios é perigosa porque pode causar a contaminação do solo e de água, colocando em risco a saúde de outros animais e do ser humano com doenças do tipo leptospirose e hepatite. Atualmente, a secretaria recolhe os corpos nas clínicas e descarta em valas do lixão. O secretário de Meio Ambiente, José Eudes Januário, diz que a notificação tem o objetivo de estabelecer uma nova dinâmica de coleta. ''Hoje a situação é sem pagamento, controle ou de planejamento de horários e o descarte não é uma obrigação do município e sim uma passivo das clínicas veterinárias'', explica.
Januário afirma que os donos de clínicas começaram a se mobilizar, depois da notificação, para reuniões com o órgão em busca de solução para o caso. ''Eles estão dispostos a aceitar uma taxa e planejar a coleta'', diz o secretário. Conforme o veterinário Eli Ferrarezi, o número de animais mortos nas 14 clínicas da cidade varia de 10 a 20 por semana.
O representante dos proprietários de clínicas, médico veterinário Claudio Machado, diz que houve uma falta de respeito e de inabilidade política da secretaria com as empresas. ''A administração pública também não teve respeito com os nossos clientes porque não é fácil avisar sobre a morte de um animal de estimação e ainda falar para o cliente se virar com o corpo'', afirma Machado. Segundo ele, até ontem a secretaria não havia marcado nenhuma reunião com os donos de clínicas. ''Só recebemos o aviso do fim da coleta e nada mais'', diz Machado. Ele afirma que a alternativa mais viável seria uma parceria do município e donos de veterinárias com o Biotério da UEM para o uso do forno crematório. ''O equipamento de R$ 40 mil está parado porque faltam outros R$ 10 mil para a estrutura do forno'', afirma Machado.


