Maringá: os desafios da revitalização
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segunda-feira, 25 de junho de 2012
Lúcio Flávio Moura <br> Reportagem Local 
Corredor de tráfego e via comercial importante, a Avenida Maringá, na Zona Oeste de Londrina, deve passar por sua maior transformação nos próximos seis meses. A intervenção da Prefeitura tem o objetivo de aumentar a capacidade de fluxo e aumentar o número de vagas de estacionamento no trecho entre a Avenida Tiradentes e o Lago Igapó 2. Trafegam pela via cerca de 25 mil veículos diariamente.
As obras devem começar em 10 dias, de acordo com o secretário municipal de Gestão Pública, Fábio Reali Lemos. A construtora londrinense Axial, vencedora da licitação, tem prazo de 180 dias para concluir a reforma, orçada em R$ 1,4 milhão.
As alterações incluem a instalação de um canteiro central de um metro de largura, a demarcação de quatro faixas de rolamento (o recuo dos imóveis, de cinco metros, será reduzido), mudança do modelo de estacionamento e do sistema de semáforos, além da implantação de três minirotatórias e de uma nova sinalização. Nas calçadas, haverá a instalação de rampas de acessibilidade e a troca do paisagismo.
De acordo com a presidente do Instituto de Pesquisa, Planejamento e Urbanismo de Londrina (Ippul), Regina Nabhan, a adoção do estacionamento em 45 graus (espinha de peixe) vai ampliar em 50% o número de vagas de estacionamento, passando dos atuais 400 para 600 vagas. ''Essa mudança foi discutida com os comerciantes e eles vão aderir espontaneamento ao novo modelo. A faixa de recuo maior do projeto original foi deixada justamente para viabilizar o alargamento da via e entendemos que era o momento certo para essa intervenção'', explica Regina
Uma reunião entre representantes da secretaria de Obras, da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) e da construtora está marcada para amanhã para deve definir um cronograma para a obra.
No limite
Percorrendo a avenida, conversando com comerciantes e pedestres, o único consenso parecia ser a necessidade da revitalização. Houve queixas generalizadas em relação ao tráfego intenso nos horários de pico e o grande número de acidentes.
O novo modelo de estacionamento é um ponto de apreensão. ''Para o comércio não vai ser bom. O ideal seria fazer um modelo misto. Em alguns pontos mudar e em outros não. Os comerciantes estão no limite por causa do valor alto dos aluguéis. Se o movimento cair, muita gente vai deixar a avenida'', prevê Donizete Aparecido de Oliveira, proprietário da Central Chaves.
O dono da Panificadora Millane, Tadeu Luís Macarini, desconfia que o estacionamento em 45 graus vai tornar o trânsito mais lento. ''Mas no aspecto geral, a revitalização é algo benéfico a todos'', admitiu.
O gestor ambiental Alexsandro Vituri acredita que o alargamento da via deve resolver o problema dos congestionamentos mas lembrou que o novo modelo de estacionamento só vai funcionar se os usuários respeitarem a regra da rotatividade na vaga.
Aguardar para ver
Os aposentados Ademar Vendrame e José Brambilla Bortoluzzi dizem que vão ''aguardar para ver''. Moradores das imediações, ambos usam a esquina com a Rua Ibiporã como ponto de encontro para descontraídas conversas. Já viram de tudo neste passatempo, inclusive atropelamentos e colisões.
''Hoje é uma avenida muito perigosa. Os motoqueiros abusam muito quando o trânsito está pesado. E para o pedestre é sempre arriscado. Acho que com o estacionamento novo e com as faixas novas, vai ficar muito apertado'', opina Bortoluzzi.
A comerciante Adriane Casanova e sua mãe, Elza, são testemunhas de como o trânsito piorou na vida em uma década, quando instalaram uma loja de móveis no local. Ambas reconhecem que a obra pode ser uma evolução para a avenida mas lembram que a manutenção pós-revitalização será tão importante quanto a transformação ''Tem um bueiro entupido na frente da loja. Já fiz várias queixas e não resolveram. A conservação e a limpeza devem ter uma atenção especial''.
Também dono de uma loja de móveis, Guilherme Vicente diz que as novas faixas de rolamento vão desafogar o trânsito, ''cada vez mais complicado''. Ele também sugeriu que o município fiscalize melhor a rotatividade no uso das vagas. ''As pessoas não respeitam. Se não houver fiscalização, os comerciantes serão prejudicados'', afirma.


