Usuários do transporte coletivo urbano de Maringá ficaram ‘‘perdidos’’ ontem com a mudança de algumas linhas, que deixaram de fazer o embarque e desembraque dentro do terminal. Das 50 linhas existentes, 12 passam a atender nas plataformas laterais da antiga rodoviária e na travessa Julio de Mesquisa Filho. ‘‘Não sabia da mudança, perdi o ônibus e agora estou há quase uma hora esperando o próximo’’, reclamou a comerciária Cilene Muniz.
Ela reclamou que a única ‘‘dica’’ para os usuários foram cartazes com o número dos pontos colados nos pilares da antiga rodoviária. ‘‘Uma mudança assim teria que ser anunciada por muito tempo’’, reclamou. A doméstica Célia Siqueira disse que ouviu sobre as alterações na televisão. ‘‘Mas não entendi nada.’’ Ela estava na fila errada aguardando o ônibus para voltar ao bairro onde mora. Depois de pedir informações para funcionários da empresa, Célia encontrou o ponto onde deveria aguardar o coletivo.
O professor José do Nascimento Neto, disse à Folha que as pessoas mais velhas são as que mais sofrem. ‘‘A maioria não consegue assimilar mudanças e precisa de tempo para se acostumar.’’ Para ele, o maior problema, ontem, foi o usuário chegar no ponto onde sempre tomou o ônibus e não perceber a mudança. ‘‘A pessoa está habituada a embarcar no local e nem repara que a placa das linhas mudou’’, diz. Nascimento disse ainda que apesar da empresa concessionária ter ônibus novos, continua utilizando os antigos, com degraus altos e que dificultam o embarque de idosos e deficientes físicos.
Segundo o gerente da Transporte Coletivo Cidade Canção, Roberto Jacomeli, a mudança no local de embarque e desembarque das linhas foi a única alternativa para desafogar o terminal urbano. Ele lembra que existia um projeto de canaletas exclusivas para os ônibus urbanos, na avenida sobre o túnel ferroviário do Novo Centro, o que complementaria o ‘‘passe inteligente’’ adotado há 10 dias. Como o projeto não saiu do papel e o novo modelo de passe demanda mais tempo para embarque e desembarque, o terminal ficou sobrecarregado. ‘‘A saída foi tirar algumas linhas lá de dentro’’, diz.
Jacomeli disse ainda que esta é apenas mais uma das várias mudanças que serão promovidas no transporte coletivo. ‘‘Vamos fazer as alterações por etapa justamente para não prejudicar o usuário.’’ O próximo passo será uma pesquisa que vai identificar quais linhas podem ser integradas, incentivando o passageiro a não se deslocar para o centro.
‘‘O passe inteligente permite que o usuário use duas linhas sem passar pelo terminal’’, lembra. O gerente garantiu que toda frota da empresa será substituída pelos coletivos novos que têm degraus mais baixos.

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