Maringá monitora febre amarela em macacos
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quarta-feira, 08 de fevereiro de 2017
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
Em alerta com o surto de febre amarela registrado em alguns estados brasileiros, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Bem-Estar Animal(Sema) de Maringá (Noroeste) está fazendo o monitoramento epidemiológico preventivo dos macacos-prego que vivem nos parques da cidade. Apesar de ainda não haver casos notificados em humanos ou macacos no Paraná, uma amostra de 35 animais está sendo monitorada quinzenalmente, através de microchips.
A médica veterinária da Sema, Maristela Galvão, explica que os animais que receberam o equipamento são aprisionados em armadilhas para retirada de amostras de sangue que são encaminhadas para o laboratório da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), em Foz do Iguaçu (Oeste), onde são testadas para viroses diversas e agora também para febre amarela. A estimativa do órgão é que pelo menos 500 animais vivam atualmente nos parques da cidade.
Os macacos não transmitem a febre amarela, mas podem hospedar o vírus quando picados por mosquitos contaminados. Se outro mosquito pica o macaco e depois um humano, pode infectá-lo. "O macaco não é transmissor, é apenas uma vítima", esclarece. Ao contrário dos humanos, porém, os primatas não apresentam sintomas na primeira fase da doença, o que os torna mais vulneráveis. "Os macacos não sentem calafrio, dor, vômito ou náusea, como ocorre com as pessoas. Quando são contaminados, acabam morrendo", diz.
Em 2009, o surto de uma doença não identificada causou mortandade de macacos no município. A mesma situação ocorreu em 1996, mas em ambos os casos a suspeita de febre amarela foi descartada. "Não foi descoberta a causa", reforça Maristela.
Já o monitoramento por microchips foi implantado em 2015, quando a secretaria registrava muitas reclamações de invasão de casas e até escolas por macacos. "Nesta época passamos a fazer vasectomia nos machos alfa para controlar a população sem tirar o instinto sexual. Isso evita que sejam segregados pelo bando", esclarece a veterinária. Os chips foram instalados na mesma ocasião para monitoramento de outras doenças. Além disso, outra medida tomada à época foi aumentar a oferta de comida dentro dos parques. "Dessa forma eles pararam de sair em busca de alimento", completa.
A recomendação da veterinária é que a população não ofereça comida aos macacos, para evitar que eles saiam dos parques. "Em contato com as pessoas, eles podem pegar doenças como gripe ou herpes", alerta.
Além dos exames de sangue, outra estratégia para controle de doenças é a observação constante dos macacos pelos tratadores. "Os funcionários andam pela mata e estão sempre atentos a mudanças de comportamento, agressividade e machucados. Por enquanto não observamos nada fora do normal."
Outra recomendação é que a população se vacine contra a febre amarela de acordo com o calendário preconizado pelo Ministério da Saúde. "Dessa forma, as pessoas protegem a si mesmas e também os macacos", defende.
OUTROS MUNICÍPIOS
Em Cascavel (Oeste), os macacos que vivem em cativeiro no zoológico da cidade são observados diariamente. Já os que vivem livres são recolhidos para observação em caso de sintomas de doença. Animais mortos são submetidos a exames para detectar a presença ou não dos vírus de febre amarela e raiva.
Em Curitiba, a unidade de zoonoses da prefeitura, com apoio da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), monitora há oito anos a população de bugios da região sul da cidade e os saguis do parque Barigui. Conforme informações da assessoria de imprensa do município, a recomendação à população é que, no caso de encontrar macacos mortos, entrar em contato com a unidade de zoonoses pelo telefone 156.


