Maringá Os postos de saúde de Maringá serão obrigados a comunicar às autoridades competentes os casos de violência e maus tratos contra crianças detectados por médicos, enfermeiros e agentes de saúde. A determinação faz parte do Protocolo de Assistência à Saúde da Criança que será lançado hoje, na Sociedade Médica de Maringá.
O protocolo é um conjunto de medidas que visa padronizar o atendimento pediátrico na rede municipal. As unidades de sa© úde passarão a atender crianças seguindo uma ficha-padrão, onde serão anotados todos os dados médicos, sócio-econômicos e familiares. O objetivo, de acordo com a coordenadora municipal da saúde da criança, a pediatra Jussara Titato, é elaborar um histórico de vida de cada criança atendida nos postos municipais. Ela explica que a partir dos dados levantados pelo protocolo, será possível ampliar a atenção à saúde infantil.
Conforme Jussara, o protocolo é o primeiro passo para se criar a Rede de Proteção à Criança, que une setores da sociedade para combater a violência infantil. As áreas de saúde e de ensino, por exemplo, têm papel fundamental nesta estratégia, já que mantém contato direto diário com crianças de todas as faixas etárias.
Cinco postos de saúde já mantém a rotina de informar ao Conselho Tutelar ou ao Centro de Apoio a Crianças, Adolescentes e Mulheres em Situação de Violência (Ceacam) sobre maus tratos e agressões verificadas durante as consultas. Mas, nas demais unidades, a denúncia fica a cargo do próprio profissional de saúde. ''Isso expõe muito o profissional, que depois precisa continuar atendendo a família envolvida.''
O Ceacam recebe cerca de 80 denúncias de abusos e maus tratos contra crianças por mês em Maringá. Deste total, 6% partem dos postos de sa© úde. Para a coordenadora do Centro, Margarete Regina Alves, a implantação do protocolo é fundamental para revelar a questão da violência doméstica.

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