O Departamento Nacional de Combustível (DNC) inicia dia 16, em Maringá, os testes para detectar a mistura de solventes na gasolina em postos no interior do Estado. O trabalho começou por Curitiba, onde já foram detectadas irregularidades, mas a expectativa do órgão é encontrar um índice maior de mistura nas regiões mais próximas da divisa com São Paulo. ‘‘O problema começou em postos do interior paulista, e já chegou no Paranᒒ, alerta o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis do Paraná, Roberto Fregonese.
Ele diz que são mais de 2.400 postos em todo o Estado, que vendem uma média de 100 milhões de litros de combustíveis ao ano. O DNC calcula que pelo menos 3% da gasolina comercializada no Paraná tem misturas irregulares. O problema maior, alerta Fregonese, é a mistura de solventes ao combustível, prática comum de fraude porque é difícil de ser detectada. ‘‘O cheiro do combustível queimado é um pouco diferente, mas só com teste de laboratório é possível confirmar a mistura’’, afirma.
A opção pelos solventes está no preço. Enquanto um litro de gasolina custa ao posto R$ 0,70, o mesmo volume de solvente é comprado por R$ 0,16. ‘‘O produto é muito forte, e acaba com o motor do veículo a médio prazo’’, explica Fregonese. O primeiro sintoma é o motor falhando durante o uso, e depois os problemas com peças que sofrem desgaste em contato com o solvente.
Fregonese diz que a guerra de preços e prazos entre os postos é a maior responsável pelo uso de combustíveis adulterados. Mas alerta que nem todos os revendedores têm conhecimento da existência dos problemas dentro da própria empresa. ‘‘Muitas vezes o dono do posto compra o produto de outra bandeira, e acaba adquirindo a gasolina com mistura irregular’’, avisa Fregonese.

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