Maringá inicia programa nacional
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 11 de setembro de 1997
Marccio W. Varella Maringá 
Marcos NegriniSem proteçãoA falta de cobertura vegetal provoca erosões como a da foto, no interior do Parque do IngáO Ministério da Agricultura iniciou ontem em Maringá o programa de reposição florestal em todo o Estado. Seminário realizado no plenário da Câmara de Vereadores alertou para a necessidade de se fazer, com urgência, a cobertura vegetal de 18% de áreas degradadas do território paranaense.
Pela lei, 25% da área estadual tem que ter cobertura vegetal. O Paraná só tem 7%. Já teve 60% há 30 anos. Então, existem 18% de áreas que precisam ser recuperadas, disse o presidente da organização não-governamental Associação de Defesa e Recuperação do Meio Ambiente do Vale do Ivaí (Ademavi), Vanderlei Parma.
O Ministério está propondo a formação de associações de reposição florestal, através do Projeto Novas Fronteiras de Cooperativismo (PNFC). Este projeto já está em funcionamento em São Paulo, onde 17 associações foram criadas e 36 milhões de árvores plantadas desde 1993. O Paraná ainda não tem associações deste tipo. Em São Paulo, essas associações criaram viveiros de árvores nativas para que os produtores as plantem em matas ciliares e fundos de vales.
O projeto não distribui recursos, apenas orienta. Nós não compramos o trator, ensinamos o agricultor a usá-lo, contratamos técnicos, explicamos as técnicas de reposição, fomentamos a criação dessas associações, explicou o gerente do PNFC de São Paulo, Afrânio César Migliani, presente ao seminário de Maringá.
Um lei federal obriga toda propriedade rural a ter 20% de cobertura vegetal nativa. A proposta do projeto é que ao invés de manter a floresta nativa, o produtor plante uma floresta econômica, com eucalipto e pinus, que poderá ser usada em seu próprio benefício, explicou Parma.
Uma das propostas que Parma fez ao delegado federal do Ministério da Agricultura no Paraná, Mário Bezerra Guimarães, foi a de o PNFC aceitar a inclusão dos produtores nessas associações, por enquanto abertas somente aos consumidores de madeira: padarias, indústria moveleira, cooperativas e construção civil. A proposta está sendo discutida ainda entre governos federal e estaduais.
O papel da Ademavi será o de incentivar a criação dessas associações, adiantou Parma. Mas para isso precisamos que 100% do dinheiro pago pelos consumidores ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP) pelo corte das árvores seja repassado às associações. Hoje, o IAP distribuiu a metade deste dinheiro às prefeituras e ninguém sabe o que ele faz com a outra metade, acusou.
O corte de uma árvore rende R$ 1,00 ao IAP. Os consumidores da região de Maringá, segundo Parma, pagam cerca de R$ 8 milhões anuais ao IAP.
O gerente paulista do PNFC, Migliani, faz uma comparação: O sistema funcionaria assim: os produtores plantam uma reserva econômica, com alternativas de renda e geração de empregos, e não tocam na floresta nativa. Isso já está acontecendo em São Paulo.


