Lucinéia Parra
De Maringá
Agentes da Vigilância Sanitária de Medicamentos, da Secretaria de Saúde de Maringá, começaram ontem a recolher produtos para análise das farmácias de manipulação, homeopáticas e ervanários. O objetivo é identificar e apreender os produtos irregulares que estão sendo comercializados. De acordo com pesquisa realizada por alunos do curso de farmácia e farmacologia da Universidade Estadual de Maringá (UEM), 60,2% dos produtos disponíveis no mercado local estão irregulares, sendo que dois terços estão fora das condições de uso.
De acordo com a farmacêutica Izaura Alves de Souza, responsável pelo setor de Vigilância Sanitária de Medicamentos, a análise fiscal vai apontar quais os produtos adulterados e onde eles estão sendo comercializados. Com base na análise, a Secretaria vai notificar as empresas que estão comercializando produtos irregulares. ‘‘Vamos dar prazo de 30 dias para estes estabelecimentos se regularizarem, depois vamos aplicar as punições, que vão desde multas a interdição do estabelecimento’’, afirmou.
Antes da coleta, os agentes sanitários se reuniram com os proprietários das farmácias, na Secretaria de Saúde. Durante a reunião, que contou com a presença do secretário Ivan Murad e do professor Luiz Carlos Marques, coordenador da pesquisa realizada pelos alunos da UEM, os donos das farmácias de manipulação e homeopática contestaram a atuação da Vigilância Sanitária.
De acordo com Cássio Adriano de Lima Martelozo, dono de uma farmácia de manipulação, as irregularidades encontradas pelos alunos da UEM são de responsabilidade dos fornecedores. ‘‘Nós somos um dos consumidores finais, porque compramos os produtos de outros fornecedores. Se existe algum problema com os produtos, a vigilância tem que começar uma investigação nas empresas fornecedores da matéria-prima. Quando eu compro um produto que tem o registro do Ministério da Saúde, eu acredito que seja de qualidade’’, explica.
Uma das recomendações da Secretaria de Saúde, conforme Martelozo, é que os próprios donos dos estabelecimentos controlem a qualidade dos fitoterápicos, fazendo análises periódicas dos produtos adquiridos dos fornecedores. ‘‘Só que esta proposta é inviável, porque a Farmig (Associação das Farmácias Magistrais), da qual somos associados, já faz análises dos produtos e encaminha os laudos para nós. Cada análise custa de R$ 90,00 a R$ 180,00 e nós trabalhamos com 15 a 20 itens. O custo é muito alto, por isso não temos condições de fazer as análises de todos os produtos que adquirimos dos fornecedores’’, esclarece.

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