Maringá 'enterra' R$ 16 mil por dia no lixo
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quinta-feira, 17 de julho de 2003
Marta Medeiros<br>Equipe da Folha 
Maringá A falta de adesão à campanha de coleta seletiva leva Maringá a enterrar no Lixão R$ 16 mil por dia ou R$ 4,9 milhões por ano em papel, plástico, vidro e metal. O cálculo da Secretaria Municipal do Meio Ambiente revela que o dinheiro poderia circular na cidade gerando emprego e renda para os catadores e demais trabalhadores em usinas de reciclagem.
Conforme os cálculos da secretaria, das 300 toneladas de lixo diárias coletadas, 80 seriam reaproveitáveis e poderiam ser vendidas ao preço médio de R$ 0,21 o quilo. Iniciada em outubro de 2001, a coleta seletiva atinge apenas quatro toneladas de lixo reciclável por dia, o equivalente a 5% do potencial. O restante, 76 toneladas, vão para o Lixão ampliando os depósitos e provocando impacto ambiental, já que o vidro demora mil anos para se decompor e latinhas de alumínio não se corroem nunca.
Segundo o coordenador da Coleta Seletiva, Ataíde Rosa, o serviço passa em 100 bairros e enfrenta dificuldades porque a população ainda não aderiu à prática de separar, em casa e no trabalho, os materiais recicláveis do lixo orgânico. Para se ter uma idéia da falta de conscientização, nos bairros onde os moradores mais participam Zona 7, Vila Esperança e Vila Operária só 10% do total do lixo são separados. Nas demais regiões a média é de 5%. O município conta com cinco veículos, entre caminhões e ônibus, na coleta do reciclável.
O coordenador afirma que o objetivo é ampliar a coleta seletiva para todos os 259 bairros. Para isso, a secretaria pretende estimular a organização de catadores autônomos que, além da coleta, poderiam convencer diretamente os moradores na seleção do lixo. Ataíde Rosa estima a existência de pelo menos 300 catadores autônomos. A secretaria ainda não concluiu um levantamento do número real destes trabalhadores. ''As pessoas devem ter em mente que separar lixo hoje é também um ato de solidariedade porque gera emprego e renda para quem precisa'', diz.
A coordenadora de Educação Ambiental, Marisa Colombo, também reforça este ponto para sensibilizar a população da importância da coleta seletiva. Marisa conta que nas palestras dirigidas em escolas e empresas, é possível perceber a falta de informação da comunidade. ''Muitas pessoas acham que é difícil fazer a separação em casa ou então têm dúvidas sobre o destino final do lixo reciclável'', diz Marisa.
O município mantém um serviço permanente de educação ambiental e lançou recentemente um gibi da ''Turminha do Meio Ambiente'', distribuído em escolas. ''Acreditamos que educando as crianças, os pais são estimulados'', diz Marisa.


