Na Câmara de Vereadores de Maringá, há polêmica sobre a contratação de parentes para os cargos de confiança e a necessidade do corte nas despesas. Desde que o Legislativo mudou para um prédio próprio, há cerca de cinco anos, cada vereador pode contratar dois assessores. Dos 21 vereadores, oito têm parentes trabalhando no gabinete ou em outros setores da Câmara. Para tentar reverter a situação, o vereador Aldi Cesar Mertz (PDT), está preparando um projeto de reforma administrativa, que deve ser apresentado em alguns dias. ‘‘O projeto vai garantir uma economia de R$ 500 mil por mês’’, avalia.
Cada vereador de Maringá tem um salário de R$ 4,2 mil por mês, cerca de 70% do vencimento de deputado estadual, conforme determina a lei. Os assessores recebem entre R$ 800 e R$ 1,2 mil por mês, e alguns vereadores indicam nomes para ocupar cargos de confiança. ‘‘Os cargos de confiança servem como moeda de troca na Câmara’’, acusa Mertz. Ele lembra que em maio do ano passado, por uma necessidade de corte nas despesas, a presidência da casa exonerou cinco ocupantes de cargos de confiança. ‘‘Na época eu cobrei a extinção dos cargos, mas não fui atendido’’, lembra.
Para a eleição na nova mesa diretora, os cinco cargos, segundo Mertz, foram usados em troca de votos e estão novamente ocupados. ‘‘Ficamos mais de seis meses sem os cargos e não fizeram falta’’, afirma. Ele critica ainda a opção dos vereadores em paralisar a transmissão das sessões pela TV e pelo rádio, como forma de economia. ‘‘O fim das transmissões cerceia a liberdade do cidadão de assistir às sessões’’, opina Mertz. Ele diz ainda que a verba de publicidade da Casa, que era de R$ 20 mil antes do corte na TV e do rádio, continua no mesmo valor. ‘‘Onde está a economia?’’, pergunta.
O presidente da Câmara de Maringá, João Alves Correa (PMDB), diz que Mertz esta fazendo demagogia. ‘‘Ele sabe que o projeto não passa’’, diz. Segundo Correa o gabinete da presidência tem 26 cargos de confiança, e todos os vereadores indicam, menos os de oposição. ‘‘Eu mesmo não indiquei ninguém’’, afirma. Os cinco cargos retomados agora, diz Correa, representam uma economia pequena porque são todos de salários baixos.
O corte nas transmissões de rádio e TV, alega ele, foi necessário devido o abuso de alguns vereadores, que usavam a tribuna apenas para discursos intermináveis. Correa observa ainda que assumiu a presidência com uma dívida de R$ 900 mil em janeiro. Em três meses, teria reduzido a dívida para R$ 500 mil.

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