O destino do velho aeroporto de Maringá começa a ser discutido hoje pela comissão criada pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico (Codem), a pedido da prefeitura. Formado por representantes de diversos segmentos da sociedade, o conselho vai analisar todas as condições de área e as propostas existentes para ocupar o espaço de aproximadamente 20 alqueires.
O primeiro obstáculo é a intenção do Aeroclube de Maringá, que está requerendo o local para abrigar um centro de treinamento em acrobacias e uma estrutura voltada a eventos ligados à aeronáutica. O clube já conseguiu prorrogar o prazo para deixar o aeroporto, que pelo município já estaria desativado. Os pilotos privados e o aeroclube têm até o dia 27 de junho para usar o local.
Outra vitória, segundo o piloto Jonas Lourenço, diretor do aeroclube, é que a Diretoria Eletrônica de Proteção ao Vôo (DEPV), órgão ligado ao Comando da Aeronáutica, concordou em fazer um estudo para manter a estrutura do velho aeroporto. O problema hoje, explica Lourenço, é que existe conflito de procedimentos entre o novo e o velho aeroporto. Através dos estudos realizados pela DEPV, será possível liberar os dois aeródromos.
Mesmo assim, Lourenço acredita que seja possível liberar boa parte da área onde está a pista. Para manter o centro de treinamento, o aeroclube precisa de aproximadamente 1.200 metros de pista, 400 metros a menos que o comprimento atual. Além disso, as áreas de escape laterais também podem ser reduzidas pela metade. Hoje é de 150 metros. Com a mudança, o aeroclube quer montar mais cursos e atrair os pilotos de acrobacia para a cidade. Maringá tem 35 aeronaves particulares.
Outro obstáculo para a ocupação da área é o contrato de concessão da Companhia Melhoramentos Norte do Paraná (CMNP), empresa que colonizou Maringá. O terreno foi doado ao Ministério da Aeronáutica há cerca de 50 anos e prevê a reversão caso o aeroporto seja desativado. Na CMNP a informação é que o município já requisitou o espaço, mas a decisão final cabe à diretoria da empresa, sediada em São Paulo e que não tem nenhuma posição sobre o assunto no momento.
A intenção da prefeitura é retirar o aeroporto e levar a discussão sobre a ocupação da área à comunidade. ‘‘Quem vai decidir o destino daquele espaço é a população de Maringᒒ, explica o chefe de gabinete da prefeitura, Reginaldo Dias. Entre os projetos já existentes existe um de transformar o local em uma área de lazer, outro que defende a construção de um centro cívico ou um centro de convenções.
Dias garante que a área não será ocupada por sem-teto, como sugerem boatos que se espalharam pela cidade na última semana. ‘‘A não ser que alguém organize uma ocupação para depois colocar a culpa na administração’’, diz. O presidente da comissão que vai decidir sobre o uso da área, Adolfo Cochia Júnior, diz que por enquanto não existe nenhuma proposta confirmada para levar à comunidade.
Ele explica que a comissão ainda vai analisar os projetos existentes. ‘‘O que passar pela comissão será levado à comunidade em uma audiência pública’’, avisou. A data da audiência ainda não está definida.

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