Maringá decreta situação de emergência
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terça-feira, 22 de abril de 2008
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
Maringá - A cidade de Maringá (Noroeste) amanheceu sem chuva ontem, mas a sujeira espalhada pelas ruas, principalmente nos bairros na Zona Norte, revelava a intensidade do temporal da véspera. Moradores passaram a manhã inteira limpando restos de galhos, folhas e até mesmo pedaços de telhas ou antenas parabólicas que foram atingidas por pedaços de granizo, que segundo alguns moradores, tinha o tamanho de um ovo.
O forte temporal começou no início da tarde de segunda-feira e durou mais de uma hora. De acordo com dados levantados pela prefeitura, 1,2 mil casas foram atingidas, além de fiações elétricas danificadas. Pelo menos 10 árvores caíram em diversos pontos da cidade e até o telhado do hipermercado Big, localizado dentro do Shopping Cidade, não resistiu à quantidade de água e gelo que se formou no momento do temporal e desabou.
De acordo com informações da assessoria de imprensa da Rede Wal-Mart, responsável pelo hipermercado, mais da metade da cobertura foi prejudicada. No momento da chuva, não havia ninguém no interior do mercado, que estava fechado por conta do feriado de 21 de abril. A equipe da FOLHA esteve no local ontem, mas não foi permitida a entrada da imprensa. Segundo a assessoria, o estabelecimento permanecerá interditado por motivos de segurança e deve ser liberado somente após passar por uma reforma. O prejuízo ainda está sendo contabilizado.
Em toda a cidade, apesar dos estragos, também não houve feridos. Segundo o secretário de Serviços Públicos e diretor de operações da Defesa Civil de Maringá, Vagner Mussio, nenhuma família precisou abandonar suas residências. Por conta dos estragos, a prefeitura decretou situação de emergência. Lonas foram disponibilizadas pela Defesa Civil a dezenas de famílias e o órgão percorreu várias regiões ontem para registrar o número de residências atingidas. ''Vamos avaliar o prejuízo e fazer um levantamento sócio-econômico. A prefeitura vai providenciar telhas para as famílias que não tiverem condições de comprar. O pessoal da Assistência Social também vai analisar as outras necessidades para que possamos ajudar'', garantiu o secretário.
Moradores de bairros como Vila Nova, Vila Esperança, Vila Operária, Zona Sete, entre outros atingidos pelo temporal, ainda estavam muito assustados ontem e temiam mais chuva forte. ''Meu carro ficou destruído. No prédio onde eu moro alguns apartamentos não têm garagem e eu não consegui tirar meu carro antes do temporal. A chuva começou por volta das 16 horas, foi horrível. O pessoal mais velho da cidade comentou que nunca viu nada igual'', comentou o engenheiro agrícola Alexandre Salvestro, morador da Vila Nova.
A família da costureira Sonia Maria Tavares Resende, moradora do bairro Zona Sete, passou a manhã toda trocando o telhado da casa, que ficou completamente destruído pelo granizo que caiu no bairro. ''Não tinha ninguém em casa na hora da chuva, graças a Deus, senão eu ia morrer de medo. Quando cheguei levei um susto. Todo o telhado de amianto estava furado. Tivemos que gastar R$ 1,2 mil em telhas, porque não sobrou nenhuma'', lamentou a moradora.
Já os familiares da educadora infantil Eva dos Santos, residente no Bairro Alvorada, estava toda em casa na hora do temporal e passou por maus momentos. Eles confessaram ter vivido ''momentos de terror''. ''A chuva vinha assim, de lado, varrendo tudo o que tinha no chão. O toldo da minha casa acabou, ficou tudo furado. Moro em Maringá há muitos anos, minha família inteira é daqui e ninguém tinha visto uma chuva tão forte como essa. Os granizos tinham o tamanho de um ovo'', comentou Eva, que varria a rua de sua casa ontem pela manhã.
Meteorologistas do Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar) afirmam que o tempo deve continuar chuvoso, mas estão descartadas novas tempestades. As temperaturas na região Norte e Noroeste do Estado ainda devem se manter instáveis, atingindo mínimas de 14 graus e máximas de 27 graus. Segundo o meteorologista Samuel Braun, o fenômeno de segunda-feira foi causado pela alta temperatura somada à umidade disponível, que favoreceu a formação de granizos.


