Pólo regional que atrai cerca de um milhão de consumidores de aproximadamente 150 municípios, Maringá se distingue das outras principais cidades do Estado: não existem mais camelôs nas ruas. A rigorosa fiscalização da prefeitura e a intensa participação dos empresários nas discussões dos problemas da cidade praticamente impedem que vendedores ambulantes ocupem as calçadas. A exceção fica por conta dos vendedores de cachorro-quente que têm pontos fixos nas principais avenidas.
Mesmo assim, o número de carrinhos é limitado e controlado (veja texto nesta página) pelo setor de fiscalização da prefeitura, que regulamenta a atividade. Os alvarás só são concedidos para idosos e deficientes físicos. O secretário de Fazenda de Maringá, Luis Antonio Paulichi, que ocupava a mesma função na administração do ex-prefeito Said Ferreira (PSB), promete manter o rigor no controle dos ambulantes.
‘‘Não vamos conceder mais nenhuma licença para ambulantes a partir de agora’’, assegura ele. Segundo o secretário, os camelôs só estão ausentes por causa da fiscalização rigorosa. ‘‘Temos que ser rigorosos porque a atividade dos camelôs é injusta para os comerciantes estabelecidos na cidade que pagam impostos, geram empregos e investem em instalações adequadas e modernas para atender os consumidores.’’
Segundo Paulichi, se a prefeitura for mais ‘‘generosa’’ e liberar espaços para os camelôs, ela estará ‘‘premiando aqueles que não têm compromisso com o desenvolvimento da cidade’’.
O ‘choro’ dos comerciantes, representados pela Associação Comercial e Industrial de Maringá (Acim), encontra muito mais eco na prefeitura do que as lamúrias dos candidatos a camelô. O diretor de assuntos de comércio da entidade, José Rubens Abrão, alega que a atividade dos camelôs inviabiliza o comércio, uma vez que eles podem fixar preços até 40% menores do que os comerciantes regulares.
Como se sabe, o comércio informal não recolhe impostos nem tem custos com funcionários. ‘‘Não é justo que os camelôs se instalem nas ruas vendendo produtos sem recolher impostos’’, argumenta Abrão.
Obviamente, a ausência de camelôs agrada a grande maioria dos comerciantes. Porém, a realidade era outra há cerca de quatro anos. Nem a fiscalização rigorosa na gestão do ex-prefeito Ricardo Barros (PFL) impediu que muitos ambulantes ocupassem, no final de 1982, logradouros do centro de Maringá, como a Praça Raposo Tavares.
Na época, a tentativa de retirar os ambulantes do centro da cidade não foi bem sucedida. Somente no início de 1993, na gestão do ex-prefeito Said Ferreira (PSB), os ambulantes foram controlados. O então secretário de Fazenda, Rubens Weffort, determinou a retirada dos ambulantes da Praça Raposo Tavares e autorizou vendedores de cachorro-quente em pontos previamente escolhidos pela prefeitura. O setor de fiscalização fez novo cadastramento dos ambulantes e só autorizou a atividade para idosos e deficientes.

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