Maringá consegue acabar com camelôs
PUBLICAÇÃO
domingo, 12 de janeiro de 1997
Lucinéia Parra Sucursal de Maringá 
Pólo regional que atrai cerca de um milhão de consumidores de aproximadamente 150 municípios, Maringá se distingue das outras principais cidades do Estado: não existem mais camelôs nas ruas. A rigorosa fiscalização da prefeitura e a intensa participação dos empresários nas discussões dos problemas da cidade praticamente impedem que vendedores ambulantes ocupem as calçadas. A exceção fica por conta dos vendedores de cachorro-quente que têm pontos fixos nas principais avenidas.
Mesmo assim, o número de carrinhos é limitado e controlado (veja texto nesta página) pelo setor de fiscalização da prefeitura, que regulamenta a atividade. Os alvarás só são concedidos para idosos e deficientes físicos. O secretário de Fazenda de Maringá, Luis Antonio Paulichi, que ocupava a mesma função na administração do ex-prefeito Said Ferreira (PSB), promete manter o rigor no controle dos ambulantes.
Não vamos conceder mais nenhuma licença para ambulantes a partir de agora, assegura ele. Segundo o secretário, os camelôs só estão ausentes por causa da fiscalização rigorosa. Temos que ser rigorosos porque a atividade dos camelôs é injusta para os comerciantes estabelecidos na cidade que pagam impostos, geram empregos e investem em instalações adequadas e modernas para atender os consumidores.
Segundo Paulichi, se a prefeitura for mais generosa e liberar espaços para os camelôs, ela estará premiando aqueles que não têm compromisso com o desenvolvimento da cidade.
O choro dos comerciantes, representados pela Associação Comercial e Industrial de Maringá (Acim), encontra muito mais eco na prefeitura do que as lamúrias dos candidatos a camelô. O diretor de assuntos de comércio da entidade, José Rubens Abrão, alega que a atividade dos camelôs inviabiliza o comércio, uma vez que eles podem fixar preços até 40% menores do que os comerciantes regulares.
Como se sabe, o comércio informal não recolhe impostos nem tem custos com funcionários. Não é justo que os camelôs se instalem nas ruas vendendo produtos sem recolher impostos, argumenta Abrão.
Obviamente, a ausência de camelôs agrada a grande maioria dos comerciantes. Porém, a realidade era outra há cerca de quatro anos. Nem a fiscalização rigorosa na gestão do ex-prefeito Ricardo Barros (PFL) impediu que muitos ambulantes ocupassem, no final de 1982, logradouros do centro de Maringá, como a Praça Raposo Tavares.
Na época, a tentativa de retirar os ambulantes do centro da cidade não foi bem sucedida. Somente no início de 1993, na gestão do ex-prefeito Said Ferreira (PSB), os ambulantes foram controlados. O então secretário de Fazenda, Rubens Weffort, determinou a retirada dos ambulantes da Praça Raposo Tavares e autorizou vendedores de cachorro-quente em pontos previamente escolhidos pela prefeitura. O setor de fiscalização fez novo cadastramento dos ambulantes e só autorizou a atividade para idosos e deficientes.


