A aprovação da lei que permite a Prefeitura de Maringá abrir licitação para explorar a ‘‘loteria municipal’’, anteontem pelos vereadores, já começa a gerar polêmica. O projeto entrou em votação menos de uma semana depois de ser enviado à Câmara. Na sessão de anteontem, o Conselho de Leigos da Igreja Católica levou pelo menos 60 pessoas ao plenário para pressionar contra o projeto. Foram 12 votos a favor e seis contra.
O presidente da Câmara, João Alves Correia (PMDB), teve que intervir várias vezes para acalmar os ânimos. Pelo projeto, a prefeitura tem a permissão de licitar algum tipo de jogo por prognóstico numérico, que pode ser por sorteio próprio ou baseado em loterias já existentes. A renda líquida, descontada a parte da empresa vencedora, será destinada à ‘‘seguridade social’’. O vereador Aldi Mertz (PDT) tentou mas não conseguiu adiar a votação, e criticou a iniciativa do Município em buscar recursos nos jogos de azar. ‘‘O projeto não é claro quando fala em relação aos benefícios sociais’’, diz.
O vereador Nilton Tuller (PSDB), que é pastor evangélico e líder do prefeito na Câmara, alegou que é contra jogos, mas apoiava o projeto. Na hora da votação, ele preferiu se ausentar. O mais crítico às posições contrárias ao projeto foi o presidente João Correia. ‘‘Joga quem quer’’, resumiu. A prefeitura alega que a implantação de uma loteria será a única saída para cobrir o corte de 34,3% de recursos federais para a área de assistência social.

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