Maringá - Embora os nutricionistas condenem, os médicos não aconselhem e as mães não ofereçam, é impossível escapar: o fast-food invadiu a vida de praticamente todas as pessoas e já faz parte do cardápio de muitas famílias, ainda que seja apenas nos fins de semana. Pizza, hambúrguer, pipoca, batata frita e todo tipo de lanche (acompanhados sempre de refrigerante!) são delícias difíceis de evitar.
Mas, em Maringá, um tipo de fast-food ganha disparado na preferência de jovens e até adultos. Sem exageros, onde se vai é possível encontrar um carrinho de cachorro-quente, o popular ''cachorrão''. Estima-se que existam cerca de 350 carrinhos espalhados pela cidade, que vendem juntos quase 30 mil lanches diários. Em várias esquinas, os banquinhos são poucos para tantos famintos da iguaria. Alguns pontos conquistaram tanta fama e clientes que se tranformaram em lanchonetes para várias pessoas.
Simples ou complexo
Além do preço acessível - é possível comer um lanche simples bem recheado por R$ 3 - a variedade de opções é colocada pelos clientes como um dos atrativos que conquista tanto os maringaenses quanto os visitantes da cidade. O professor de inglês José Mário de Oliveira Mendes é natural de São Paulo mas morou quatro anos em Maringá, época em que aprendeu a apreciar os lanches da cidade. ''Quando morava aqui, geralmente trocava o jantar por um lanche. Sempre que venho para cá visitar um amigo ou familiar, preciso reservar pelo menos um ou dois dias para comer ''cachorrão''. Em São Paulo não existe nenhum tão bom assim'', garante.
''Sou de Campo Grande (MS) e quando morava lá eu já gostava de lanche. Mas os daqui são muito melhores, existe uma variedade muito grande de opções. Como ''cachorrão'' umas cinco vezes por semana e não enjôo porque mudo o sabor e os complementos'', ensina o técnico em informática Jorge Luiz Manoel, 23 anos. ''Minha mãe é viciada em cachorro-quente. Por ser rápido e fácil, trocamos o jantar em casa por lanche umas três vezes por semana'', completa o estudante Douglas Nimayer Mattos, 22 anos.
Demanda crescente
O proprietário de um dos pontos mais conhecidos da cidade, Luiz Cláudio Zanco Storto, trabalha com ''cachorrão'' há 11 anos e já construiu uma lanchonete para poder atender tanta demanda. A diversificação, segundo ele, é o segredo de seu sucesso. ''Comecei fazendo apenas três tipos de lanche. Hoje, temos 16 opções de cardápio e se contar todas as combinações possíveis vai para uns 200 lanches. Os clientes pedem coisas diferentes, precisamos estar sempre inventando'', afirma. Andando pelos carrinhos da cidade, é possível encontrar lanche de filé mignon, carne moída, ovo, hambúrguer, purê de batata, presunto e queijo.
Atualmente, ele diz que vende cerca de 270 lanches por dia durante a semana e 400 por dia nos fins de semana. ''Comecei no negócio por necessidade e hoje mantenho minha casa e a faculdade, minha e do meu filho. Temos uma vida boa graças ao 'cachorrão''', comenta Storto, que emprega seis pessoas mais os 'free-lancer' de fim de semana. ''Mesmo com funcionários, certas coisas só eu faço. Meu lanche é famoso pela maionese temperada. Essa sou eu que preparo todos os dias. É o segredo do negócio'', comenta.
Praticidade bem dimensionada
Em um dos pontos do cachorreiro, a reportagem encontrou um confesso admirador dos lanches. O estudante Walister Diego Furoni Gimenez, 20 anos, garante que come cachorro-quente pelo menos três vezes por semana. ''Acho prático e gostoso. Com ovo é o meu preferido e há cinco carrinhos que sempre frequento. Dependendo de onde estou, vou naquele que estiver mais perto. Depois de uma festa, é sempre 'cachorrão' antes de ir embora para casa'', afirma.
Outro atrativo dos lanches maringaenses é o tamanho. Lanche pequeno não tem vez no mercado. Um dos mais famosos pela quantidade é do cachorreiro Anderson Fernandes, que reconhece que seu lanche é bem 'regado', como dizem os maringaenses. ''Aqui não tem miséria de nada, é tudo caprichado. Mas o atendimento também é bom e as pessoas voltam'', diz ele, que mantém o carrinho aberto das 10h30 até às 5 horas da manhã, nos fins de semana. ''O público é muito variado. Durante o dia, atendo gente que trabalha. No começo da noite é mais família e, na madrugada, é o pessoal que está voltando das festas. Todo mundo come 'cachorrão''', afirma. ''O público varia muito, dependendo do horário e do local. Em meus carrinhos atendo muito político, empresário e até médicos'', completa Luiz Cláudio Storto.

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