Comum em grandes centros urbanos, as favelas abrigam uma parte importante da população brasileira. Em Londrina, por exemplo, a Companhia de Habitação estima que existam 33 invasões em fundos de vale. Ali se estabeleceram favelas onde vivem, atualmente, 1734 famílias. Por outro lado, Maringá, a segunda maior cidade da Região Norte do Paraná, é famosa por não ter favelas.
A explicação para isso é histórica. Um programa de desfavelização colocado em prática nos anos 1970 acabou com as aglomerações de barracos e empurrou pobres para cidades vizinhas, como Sarandi e Paiçandu. O modelo controverso é alvo de críticas até hoje, mas também recebe elogios.
É o caso do vigilante Agostinho Ferreira Cardoso, 60 anos, que mora há 16 no Bairro Santa Felicidade. A localidade surgiu em 1988, quando a administração municipal levou os moradores das favelas que existiam na Vila Operária, Aeroporto e Jardim Alvorada para a região.
Mesmo sendo numa localidade distante, a iniciativa facilitou a vida dos moradores que tinham condição de pagar pela casa, construída pelo sistema de mutirão, e terreno.
A casa de Cardoso é simples e fica numa localidade pobre. Mas, para ele, é como se fosse um palácio. Ainda mais pelo que o baiano de Salvador passou quando chegou ao Norte do Paraná. ''As caixas de papelão eram a minha cama e o meu colchão. Cinco sacos de adubo eram o meu teto'', relembra o vigilante.
Apesar de não existirem favelas, falta infra-estrutura básica nos bairros da periferia de Maringá. É o que reivindica a presidente da Associação de Moradores dos Conjuntos Guaiapó e Maracanã, a alagoana Cícera Menezes da Silva, 54.
Ela diz que o recente asfaltamento de parte dos bairros da região serviu para amenizar um dos principais problemas enfrentados pelos moradores. ''Aqui tem muita criança com bronquite, muita criança que é alérgica. O principal problema é o asfalto, já que temos creche e escola aqui mesmo'', declara.
E ela tem conhecimento de causa para avaliar os anseios dos pequenos moradores dos bairros Requião, Guaiapó e Maracanã. É que Cícera faz um trabalho voluntário com a criançada da região.
A principal atividade é a organização de torneios de futebol, que reúnem os jovens para jogar em uma quadra na área. Mas ela ainda sonha com melhorias, como a construção de um complexo poliesportivo para abrigar as competições esportivas e ser uma alternativa de lazer para os bairros da vizinhança.
Vizinhança, aliás, onde apenas um barraco foi encontrado pela reportagem. A estrutura de bambu coberta com um pedaço de lona, montado numa extremidade do Guaiapó, é usada para abrigar cavalos do sol forte que persiste inclusive durante o inverno maringaense.

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