Cerca de 500 produtores de uva e soja de Marialva (17 km de Maringá) protestaram ontem à tarde por causa do excesso de calotes que nos últimos dois anos provocou prejuízos de 40% do faturamento agrícola do município, estimado em R$ 30 milhões. Comerciantes também aderiram ao movimento porque temem um caos financeiro em razão da inadimplência de produtores vítimas de calotes. Só neste ano, duas cerealistas - uma delas do prefeito da cidade, Humberto Feltrin - ‘‘quebraram’’ e provocaram prejuízos de mais de R$ 2,6 milhões.
Os manifestantes percorreram a pé e em tratores as principais ruas de Marialva. Eles cantaram o Hino Nacional em frente ao Fórum e depois se concentraram em uma praça. Os produtores também carregaram faixas pedindo o fim da impunidade de donos de cerealistas e ‘‘mateiros’’, como são chamados os compradores que intermediam negócios com a uva. Marialva é um dos principais produtores de uva de mesa do Paraná.
Segundo o comerciante José Carlos Burguês, coordenador do movimento ‘‘Marialva contra o calote’’, essa situação prejudica toda a comunidade. Além de cerealistas que recebem o produto e depois fecham a empresa, os produtores também enfrentam dificuldades na comercialização da uva. Os intermediadores provocam prejuízos porque pagam pelo quilo da fruta metade do valor praticado no mercado. Produtores de uva afirmam que o golpe da diferença de preço neste ano foi de R$ 6 milhões.
Durante o protesto de ontem, produtores de soja carregaram faixas contra as cerealistas Nossa Senhora Aparecida e Feltrin. No mês passado, cerca de 200 agricultores perderam mais de R$ 1,6 milhão para a Cerealista Nossa Senhora Aparecida. O proprietário Gilson Fransini saiu da cidade depois de fechar a empresa. A Folha tentou ontem conversar com o advogado de Fransini, Israel Batista de Moura, mas não obteve retorno. Em maio, Moura havia afirmado que o cerealista iria tentar quitar a dívida com os produtores.
Conforme o prefeito Humberto Feltrin (PPS), um dos donos da Cerealista Feltrin, que fechou em fevereiro e deixou de pagar mais de R$ 1 milhão, problemas de saúde do pai inviabilizaram o negócio. ‘‘Era meu pai quem administrava a cerealista’’, justificou Feltrin. O prefeito disse que pretende liquidar os pagamentos com os produtores nos próximos seis meses. ‘‘Em nenhum momento agi de má-fe, diferente de outros cerealistas’’, ressaltou Feltrin.
O prefeito garantiu que para evitar o calote da uva, a prefeitura iniciou um projeto para reunir em cooperativa os produtores. Além de um barracão, Feltrin afirmou que a principal atividade será a formação de um cadastro para identificar bons compradores. Para o prefeito, o problema na cidade é que nos últimos anos algumas cerealistas fizeram o papel de financiadoras da safra e não tiveram suporte para aguentar o mercado. ‘‘Muitos porém agiram de má-f钒, destacou Feltrin.

mockup