Maria Vicente é Cidadã após 60 anos
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terça-feira, 24 de junho de 1997
Osmani Costa Londrina 
Dorico da SilvaModéstiaA pioneira Maria González Vicente: Sinto-me completamente londrinense. E feliz por isso. Mas não precisavam me dar nenhum títuloMaria González Vicente nasceu em Monte Azul Paulista (SP), em novembro de 1917, filha do casal de imigrantes espanhóis Tomáz González Calderón e Francisca Vicente González. Ela cresceu na região de Araçatuba, no noroeste paulista, onde cursou o colégio normal e formou-se professora primária. Em janeiro de 38, ela chegou a Londrina com dois de seus 12 irmãos. Hoje à noite, quase 60 anos depois de muitos serviços prestados à Cidade, ela recebe da Câmara Municipal o merecido título de Cidadã Londrinense.
Logo que chegou, Maria Vicente foi contratada pela escola estadual Hugo Simas, onde tornou-se a primeira professora do 4º ano. Essa foi a primeira turma primária a concluir o curso na história de Londrina. Daí para frente, ela não parou mais de se aventurar por novos caminhos.
Em abril de 39, ela se tornou a primeira chefe das bandeirantes (setor feminino do escotismo) da Cidade. Em junho daquele ano, ela chefiou um grupo de escoteiras do Norte do Paraná que foi recebido no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, pelo então presidente da República Getúlio Vargas. Foi uma grande honra e uma das maiores emoções de minha vida, comenta Maria Vicente, que é solteira.
Ainda no final da década de 30, ela participou ativamente da campanha de arrecadação de fundos para a construção do Hospital Santa Casa, sob coordenação de Willie Davids. Em 1941, foi convidada pelo prefeito Miguel Blasi e assumiu a Inspetoria Municipal de Ensino, o que equivaleria hoje ao cargo de secretário municipal de Educação.
Maria Vicente participou também ativamente da campanha pela construção do Instituto Londrinense de Educação para Crianças Excepcionais (Ilece). Depois foi secretária de arrecadação do Ilece por 25 anos. Ela foi a primeira mulher acionista dos clubes Grêmio Literário e Country. Dirigiu dois clubes, onde organizou memoráveis bailes de Carnaval. No Grêmio, realizamos o primeiro baile de debutantes da história de Londrina, lembra com alegria.
Sempre aberta às novas experiências e defensora do saber como maior valor humano, aprendeu a fundo outros três idiomas: inglês, japonês e espanhol. Depois de mais de três décadas na Prefeitura - em várias secretarias, além do Gabinete -, aposentou-se em 1967 como 1ª chefe da Biblioteca Pública de Londrina.
Aposentou-se, mas não parou de trabalhar. Especializou-se em turismo, tornou-se guia, criou a primeira empresa londrinense do ramo e trabalhou neste setor durante 17 anos. Ela organizou e coordenou pessoalmente centenas de viagens por todo o Brasil e outros seis países da América do Sul. Depois da de professora, esta é talvez a melhor e mais prazerosa profissão que existe, avalia Maria Vicente, que na década de 40 foi eleita a Rainha da Caridade de Londrina, pelos sócios do Clube Redondo.
Meus pais e alguns irmãos morreram e estão enterrados aqui. Depois de 60 anos de Cidade, sinto-me completamente londrinense. E feliz por isso. Mas não precisavam me dar nenhum título a esta altura de minha vida; muitas pessoas o mereciam e não receberam, outras não mereciam e o receberam, afirma a pioneira, que já passou por muitas doenças mas prossegue lúcida. Essa questão de política é sempre muito complicada. Nem conheço pessoalmente o vereador que propôs o título em minha homenagem. E também não tenho certeza de que a mereço. Tudo o que fiz em Londrina foi por amor às pessoas, porque gostava do que estava fazendo. Ninguém nunca me pediu e nem me obrigou a nada.
O projeto do título de Cidadã Honorária a Maria Vicente foi proposto pelo vereador Flávio Vedoato (PTB) e assinado por outros sete co-autores. A entrega do título será a partir das 20 horas, em sessão solene da Câmara.


