Silvana Leão
De Londrina
‘‘Nós queremos dar à criança o direito de sonhar e a esperança de um futuro melhor.’’ Nos últimos 10 anos, o casal Maria de Lurdes, 61 anos e José Maria Clemente, 73 anos, vem perseguindo com determinação este objetivo. Com paciência e habilidade, eles restauram brinquedos usados para distribuir nas favelas.
A atividade começou por acaso, com brinquedos que dona Maria comprava no bazar de usados e levava para casa, para o marido consertar, e depois doar às crianças carentes.o A direção do Albelgue Noturno, onde ela trabalhava como voluntária, gostou da idéia e passou a encaminhar os brinquedos direto para o casal. Logo os dois filhos que trabalham na Caixa Econômica Federal (Caixa) tiveram a idéia de fazer a campanha de arrecadação nas agências, como forma de conseguir mais brinquedos.
Até hoje tem sido feito assim e, de fato, o volume arrecadado aumentou muito. Mas o casal acredita que não passa de 20% dos brinquedos descartados pelas famílias de Londrina. ‘‘Gostaríamos de receber pelo menos 80% e também de poder dividir esta tarefa com outras pessoas, inclusive de outras cidades. Seria uma maravilha’’, empolga-se dona Maria, que não se incomoda em largar o serviço da casa para confeccionar roupinhas de boneca, lavar e escovar bichinhos de pelúcia, perfumá-los, embalá-los cuidadosamente em sacos plásticos.
Só este ano, os Clemente restauraram quase mil bonecas. Ao todo, consertaram 3.206 brinquedos. ‘‘Nossa casa virou um depósito de brinquedos’’, conta dona Maria, lembrando que ali tudo tem jeito. ‘‘Às vezes a pessoa joga no lixo achando que está muito estragado, mas pode servir, por exemplo, para aproveitarmos as peças em outro’’, explica. Todo o material utilizado nas restaurações feitas pelo casal é pago por um grupo de funcionários da agência centro da CEF.
A alegria das crianças também serve de motivação para o supervisor de vendas Mauro da Silva Pereira, de 53 anos, que todo ano, na época do Natal, se veste de Papai Noel e vai para os supermercados alegrar a criançada. Ele faz isso voluntariamente, sem combinar nada previamente. A única coisa que pede, quando chega, são as balas para distribuir.
‘‘Os abraços que a gente ganha das crianças são bons demais’’, diz, como que justificando a iniciativa que foi intensificada de cinco anos para cá. Quando está diante das crianças, com a roupa vermelha e barbas brancas, ele não perde a oportunidade de incentivar as fantasias infantis. ‘‘Acho que esta é uma forma de compensar o pouco tempo que tive para curtir a infância da minha única filha’’, admite seo Mauro, que no Dia das Crianças transforma-se num divertido palhaço.Maria de Lurdes e José Maria Clemente são personagens conhecidos em Londrina. Eles restauram brinquedos que são distribuídos a carentes
Josoé de CarvalhoFÁBRICA DE ALEGRIASegundo Maria e José, o trabalho voluntário de consertar brinquedos para distribuir nas favelas começou por acaso, com brinquedos que dona Maria comprava no bazar de usados e levava para casa, onde o marido consertava. Só este ano, o casal restaurou quase mil bonecas e, ao todo, consertou 3.206 brinquedos: ‘‘Nossa casa virou um depósito de brinquedos’’

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