Maria de Oliveira admite deixar cargo
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quinta-feira, 16 de outubro de 1997
Lorena Aubrift Klenk 
Curitiba
Albari RosaPressãoMaria: Não tenho que teimar em não ir só porque a UDR quer que eu váA superintendente do Incra no Paraná, Maria de Oliveira, admitiu ontem, em entrevista coletiva, a possibilidade de deixar o cargo e deu sinais de que o afastamento poderá ocorrer em breve. Ela foi convidada para assumir uma diretoria do órgão em Brasília e disse que deverá tomar a decisão na próxima semana. Não tenho que ficar teimando em não ir só porque a UDR quer que eu vá, afirmou, em alusão à pressão de líderes da União Democrática Ruralista para que ela seja afastada da superintendência. Vou para onde achar melhor e, se aceitar, será uma elevação de poder.
Maria de Oliveira disse que foi convidada para assumir um departamento destinado a promover negociações com movimentos sociais. Segundo ela, será um dos departamentos de maior poder administrativo no Incra.
Por várias vezes a superintendente fez questão de desvincular sua possível saída da exigência dos ruralistas: Recebi o primeiro convite há quatro meses, quando ainda não tinha começado essa vergonhosa pressão. A UDR não manda em nada.
Segundo ela, sua saída do Paraná não interessa só aos ruralistas. Ela se disse vítima de perseguição política por parte da direção regional do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) e do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), órgão do governo estadual. O poder no Paraná também deseja o afastamento de Maria de Oliveira da reforma agrária no Estado, acusou.
De acordo com ela, um dos pontos da negociação para sua saída diz respeito ao nome do sucessor: Maria de Oliveira exige que seja alguém compromissado com a reforma agrária e que não seja ligado a qualquer segmento político. Ela também quer fazer um trabalho voltado para movimentos organizados: Não quero trabalhar num universo muito diversificado. Há possibilidade de meu trabalho se limitar à região Sul e quero trabalhar com os sem-terra, com os movimentos, que sabem o que querem.
Ela informou que a definição depende da volta do presidente do Incra, Milton Selligman, do exterior, prevista para o próximo dia 22. E disse que pretende manter sua linha de trabalho: Não desisto porque a minha paixão é a reforma agrária e, se não for possível fazê-la no Incra, vou fazer na Comissão Pastoral da Terra, nos movimento sociais, numa sociedade rural.
Maria de Oliveira também criticou a proposta de extinção do Incra, feita pelo deputado federal Abelardo Lupion (PFL). Isso é para desviar o rumo da reforma agrária, que ainda sofrerá muitos agravantes com a proximidade de um ano político, afirmou. Ela criticou também o líder da UDR no Noroeste do Paraná, Marcos Prochet. Para ela, a UDR representa o retrocesso, a concentração fundiária, de renda e de poder. Maria de Oliveira disse que apóia a existência de sociedades rurais organizadas, mas que não concorda com a brutalidade, o armamento e a burrice da UDR em querer me tirar do Incra.


