Maria das Dores apela à construção civil para fugir do salário mínimo
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sábado, 07 de março de 1998
Célia Baroni 
Dorico da SilvaTrabalho pesadoMaria: corpo doído após oito anos em obrasMaria das Dores Medeira Tonza, 43 anos, moradora do jardim Silvino, em Cambé, trabalha como servente de pedreiro há 8 anos. O trabalho é pesado e cansativo, mas dá para aprender e fazer bem feito diz
Ela conta que, no começo, achou que não iria aguentar. Ainda hoje fico com o corpo doído do trabalho. Mas a aprendizagem foi rápida e ela diz que já nos primeiros meses conseguia misturar a massa e assentar os tijolos com perfeição.
A dificuldade de conseguir emprego e um salário mais decente levou Maria das Dores para o ramo da construção civil. Procurei serviço em firma mas só me ofereciam o salário mínimo, diz.
Casada há 23 anos com José Carlos Tonza, ela decidiu aceitar a oferta do marido - que é pedreiro - e começou a trabalhar com ele por empreitada. A meta do casal era juntar dinheiro para que as duas filhas, hoje com 21 e 19 anos, gravassem um disco.
Se Deus ajudar este ano é o último na profissão de servente. A idade já não ajuda mais, avisa Maria das Dores Tonza. O marido também acha que está na hora de parar, mas lamenta a iminente perda da companheira de trabalho. Vai ser difícil encontrar um servente tão competente, diz. Entre os profissionais da área, o casal é conhecido como Polaco Cabeludo e a Mulher Pedreira.


