Um dos últimos conjuntos habitacionais ocupados em Londrina, ocupado em maio de 1999, o Maria Celina (zona norte) é visto como um refúgio pelos moradores, uma espécie de ilha perdida. O lugar, que começou a receber moradores em maio de 1999, figura no guia de endereços do município apenas pela denominação. As ruas já foram nomeadas mas ainda não constam no ''Aqui''. Problemas existem mas, na comparação com outros bairros, o lugar ''é de paz''.
O conjunto Maria Celina desmembrado em I, II, III e IV abriga mais de 450 famílias. A criançada preenche o dia com futebol, pipa e bicicleta, enquanto os adultos trabalham na reforma dos imóveis. Os quintais são ajardinados ou possuem gramados bem aparados. As chácaras vizinhas dão um ar rural ao bairro, só é quebrado porque ao longe é possível avistar os altos prédios do centro.
As ruas são asfaltadas e iluminadas mas seus nomes ainda não podem ser encontrados no guia de endereços de Londrina o ''Aqui''. Segundo a Editel Listas Telefônicas, o guia é atualizado a cada cinco anos. As ruas do Maria Celina constarão na próxima edição, prevista para novembro.
Entre uma carriola de areia e outra, o repositor Claudinei José, 25 anos, conversou com a reportagem. Há dois anos, ele se casou e se transferiu para o bairro com a mulher do conjunto Luiz de Sá, também na zona norte. ''Aqui a gente não vê ninguém fumando maconha ou cheirando cola pelas ruas'', afirma. O único problema que teve no bairro ocorreu em maio de 2002. Ele saiu certa noite para visitar a Exposição Agropecuária de Londrina e ladrões invadiram sua casa. Depois que um irmão foi ser seu vizinho, um passou a tomar conta da residência do outro.
O motorista Antônio Carlos Salgado, 39 anos, concorda que o Maria Celina é um refúgio no meio de tanta violência. Como um dos moradores mais antigos, tem experiência suficiente para listar alguns problemas. Um dos principais é a falta de vagas nas escolas mais próximas. O filho de 12 anos tem que andar mais de 40 minutos e atravessar cinco bairros para chegar na Escola Estadual Adélia Barbosa, no conjunto Parigot de Souza.
Outra problema é a falta de creche pública. Quem trabalha e tem criança pequena precisa pagar por vaga em creches particulares. A gerência de Educação Infantil da Secretaria Municipal de Educação informou que há previsão de construir um creche no Jardim Padovani, ao lado do Maria Celina. Enquanto isso, no conjunto José Giordano há uma creche que está sendo equipada e uma outra está sendo construída no conjunto Maria Cecília. Ambas pertencem a instituições filantrópicas e devem manter convênio com o município.
''Esperar pelo ônibus nos finais de semana e nos feriados também é complicado, porque eles circulam por toda região até chegar aqui no bairro'', reclamou Salgado. A gerência de tráfego da TCGL informou que com a redução da demanda nesas datas, alguns carros não circulam. A empresa apontou que os usuários podem se informar sobre os horários através do 0800-4007020.

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