Maria Celina é 'tranquilo até demais'
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quarta-feira, 12 de setembro de 2007
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Entre as casas, em geral bem cuidadas, contraste parece não ser exatamente o que o visitante do Conjunto Maria Celina (Zona Norte de Londrina) vai encontrar em uma primeira visita ao bairro. Observando melhor, porém, constraste é exatamente o que marca a localidade nas descrições de quem mora ali há mais ou menos tempo: espaço tranquilo e ideal para uma vida sossegada, para alguns, mas com segurança deficitária e sem infra-estrutura suficiente, para outros.
Com grandes lotes de terra vazios, ou com casas em construção, o Maria Celina tem ainda outras peculiaridades - o asfalto bem cuidado, novo, e a ausência de escolas e comércio; as ruas pacatas do bairro, que aos domingos são tomadas por partidas de betes e futebol, e a suntuosidade dos prédios, que compõem a vista geral do cenário.
Ouvindo moradores e comerciantes, a falta de saneamento básico - prevalece ainda o antigo sistema de fossas - passa ao largo daquilo que falta para melhorar a localidade. Falta de opções de lazer, de creches e de escolas por ali, garantem, são os problemas que mais preocupam. Uma das principais reivindicações foi resolvida há cerca de dois anos: a construção de uma ponte que liga o Maria Celina ao vizinho Jardim Barcelona. Antes, uma ponte precária de madeira - uma pinguela, na verdade - unia os dois bairros. ''Melhorou muito. Antes, até de bicicleta era perigoso atravessar isso aqui'', disse a estudante Tainá de Deus Fernandes, 12.
Já as donas-de-casa Cássia, 32, e Neide dos Reis Flores, 64, mãe e filha, defendem que pelo menos um espaço de lazer seja providenciado. ''Nem que fosse uma praça para a gente passear, pois quem é de idade, como eu, não tem para onde ir - só a igreja'', comentou dona Neide. ''Pela segurança, não tenho o que reclamar. Deu sete da noite, a gente entra, tranca tudo e não ouve nem falar de assalto - pelo menos, não aqui'', completou Cássia.
O comerciante Jair Firmino Barbosa, 45, que trabalha no Maria Celina há quatro meses, quer mais polícia no bairro. ''Até aparece algum policial por aqui, mas era bom mesmo ter um posto da PM. Tem muita molecada, pouca segurança, e, por outro lado, nenhuma área de lazer'', comentou Barbosa. A vendedora do estabelecimento, Simone Pereira Moreira, 16, concorda. ''É comum ouvir tiroteio à noite, muita rodinha de malandro. Enfim, tem muita coisa ainda por melhorar'', concluiu.
Na opinião do comerciante Aristides José dos Santos Bertozzi, 42, as qualidades do Maria Celina existem - ''não tem lugar mais tranquilo'', garante -, e os problemas ''não diferem do resto de Londrina''. Bertozzi se mudou para o bairro logo que ele começou a ser formado, em 1999, como loteamento da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld).
''Como é longe do Centro, é um lugar bem sossegado. Mas como aumentou muito a população, infelizmente a gente vê também que que o poder público não tem dado conta como deveria - é muito entulho na entrada do bairro, e saneamento básico, escola e creche que ainda não vieram, casos de assalto ou de violência, como em outros bairros.''


