''Londrina é muito boa! É terra abençoada!'' É com entusiasmo e alegria que a pioneira de Londrina, Maria Adam Caldana, fala sobre a cidade. Para ela, que vive em Londrina desde 1932, morar aqui significa ''ser feliz''.
Dona Maria nasceu nos Estados Unidos e viveu na Áustria até os 13 anos de idade. Chegou em Londrina já casada, aos 22 anos, e aqui constituiu sua família, criando cinco filhos. Hoje, aos 96, se orgulha em dizer que é londrinense. Com o título de pioneira em mãos, dona Maria lamenta o fato de ter sido uma pessoa muito caseira e com isso, segundo ela, não ter muito o que contar.
''Eu não saía de casa. Minha vida era em casa e na Igreja. Criei muito bem meus cinco filhos e cuidava muito bem da minha casa. Vivíamos em meio à terra, era muito barro e só tinha mato. Hoje quando saio e vejo a cidade, fico impressionada de como tudo está tão diferente'', comenta.
A pioneira gosta de lembrar do passado. Ela conta que quando chegou em Londrina ainda não falava muito bem o português, só esloveno, o que até hoje é motivo de boas risadas. ''A gente se comunicava assim, fazendo gestos para as pessoas. Sempre acabava dando certo, as pessoas até entendiam. O português eu aprendi bem de forma natural, nem percebi, quando vi já estava falando'', comenta sorrindo.
Dona Maria vive com o filho de criação, Douglas Fagundes, 56 anos. Por conta da osteoporose, é com ele que ela sai, vai ao médico e se desloca, todos os anos, até a Festa dos Pioneiros. ''Eu entro com o carro lá no Museu, e fica pertinho pra ela. Ela fica muito tempo dentro de casa, tem que sair, passear. Faço questão de levá-la até a festa todos dos anos'', diz Fagundes.
Para Dona Maria, o evento é uma oportunidade de rever amigos que fizeram parte de sua história de vida. ''Tem muita gente que já morreu. Eu gosto de ir porque encontro pessoas que fico muito tempo sem ver. Acho importante que esses pioneiros sejam lembrados pois podemos contribuir com a história da cidade'', argumenta a pioneira.

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