Maria tem 15 anos e morava em Santo Antônio da Platina quando foi detida pela polícia por furto. Na semana em que a reportagem da Folha esteve no Ciaadi, ela era a única menina internada na unidade de Londrian. Simpática e falante, a solidão fez dela a musa dos menores do Centro, mesmo não sendo uma menina bonita.
Ela conta o motivo que a levou para o internato: ''Eu morava com meu namorado e a polícia não gostava muito dele. Ele estava envolvido com roubo, tráfico, sei lá. Um dia, os policiais foram até a minha casa fazer uma revista, e eu disse que eles só entrariam se tivessem um mandado. Eles ficaram putos'', contou Maria. Essi, segundo ela, foi o que fez com que os policiais a prendessem, algumas semanas depois.
No dia a dia do Ciaadi, Maria recebe atenção especial. Fica alojada em uma cela isolada e, como não há educadoras trabalhnado no período diurno, é constantemente atendida pelas psicólogas e assistentes sociais da unidade. O atendimento ''VIP'', porém, não é oferecido somente pelos funcionários do Centro.
Todas as alas disputam com quem Maria sairá para as atividades diárias. Mesmo que ela vá para o pátio sozinha, os meninos gostam de saber que ela está fora da cela, junto com eles.
Na ala que tem as janelas voltadas para o pátio, os adolescentes se penduram com tiras que arrancaram dos cobertores, esperando pela oportunidade de trocar algumas palavras com a musa do Ciaadi. Alguns jogam fotos. Outros rabiscam poesias.
Maria acha graça de todo o assédio e diz, inclusive, que já perdeu a conta de quantos pedidos de casamento recusou. ''É engraçado mas também é gostoso. Eles me escrevem cartas e eu acabo me sentindo menos sozinha aqui, apesar de o Ciaadi ser uma cadeia gostosa''.

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