Marginais espalham medo no Batel
Curitiba
Mauro Frasson
Leandro Taques
OusadiaNa Rua Buenos Aires, uma casa abandonada abriga homens que passam o dia entre assaltos e drogas (foto de cima). Invasores de casa abandonada na Rua Desembargador Motta, onde vivem cerca de dez homens, mulheres e crianças: Pagamos água e luz (foto de baixo)
Cinco casas abandonadas em apenas um quarteirão transformaram o Batel, um dos mais valorizados bairros residenciais de Curitiba, em uma das regiões com maior índice de assaltos na cidade. Desde o início do ano, os imóveis desocupados estão servindo de moradia para maloqueiros que escolheram o bairro para cometer assaltos, arrombar carros e casas comerciais e cobrar taxas pelo estacionamento de veículos. Apavorados, os moradores e comerciantes que vivem próximos aos shoppings Curitiba e Crystal sofrem ameaças constantes e já fizeram abaixo-assinados pedindo providências à polícia. Até agora, reclamam, pouca coisa foi feita.
Uma das organizadoras do abaixo-assinado, que recolheu mais de 40 assinaturas, tem sua confeitaria assaltada em média uma vez por mês. A comerciante, que preferiu não se identificar por medo de represálias, diz que se sente refém da violência que se instaurou no bairro. No início desta semana, sua confeitaria foi novamente arrombada por um grupo de pessoas que vive em uma casa na vizinhança. A empresária reclama que, mesmo com a comprovação do roubo - os assaltantes continuam circulando na região, vestindo os uniformes levados da confeitaria - a polícia não procurou prender os ladrões. O clima aqui é de absoluto pavor, descreve.
Outra comerciante da região conta que já foi assaltada mais de dez vezes nos últimos três anos. Desde que os shoppings foram inaugurados, o que provocou aumento de circulação de pessoas no bairro, os assaltos se intensificaram. Todos os dias, conta a comerciante, ela costuma assistir a várias tentativas de roubo, principalmente de carros. Ela comenta que os assaltos são tão constantes que parecem ser feitos em sistema de rodízio. A cada semana um de nós é o escolhido, afirma.
Além dos assaltos, cometidos sempre à mão armada e a qualquer hora do dia, os invasores das casas costumam ameaçar motoristas que estacionam nas ruas próximas aos shoppings. Um dos guardadores de carro que trabalha no local chega a estabalecer o pagamento de uma taxa de R$ 5,00. Quando o usuário se nega a pagar, a resposta é clara: Já passei 12 anos na cadeia e não me importaria de voltar para lá, costuma ameaçar um dos guardadores de carro da região. A reportagem da Folha, que tentou conversar com moradores de uma das casas invadidas, também foi ameaçada.
Cansados de pedir auxílio à polícia, que possui poderes limitados para agir nestas situações, os moradores estão cobrando uma ação mais incisiva da prefeitura, responsável pela fiscalização dos imóveis abandonados. O diretor do Departamento da Fiscalização da Secretaria Municipal de Urbanismo, Valdir Júlio Ulbrich, afirma que os meios legais de expulsão dos invasores é demorado. Por lei, os proprietários de casas em estado de abandono podem ser multados e, em última instância, podem ser ser obrigados a demolir o imóvel.





