Marcos Panissa está foragido há dez anos
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quarta-feira, 16 de março de 2005
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
Em 2005, completam-se dez anos da decretação da prisão preventiva do empresário Marcos Panissa pelo assassinado de sua ex-mulher Fernanda Estruzani, com 72 facadas. O crime ocorreu no Edifício Edi, na Avenida São Paulo (Centro de Londrina), em 6 de agosto de 1989. Fernanda tinha 21 anos. O homicídio gerou um dos processos criminais mais comentados da história da cidade e chegou a ser tema do programa ''Linha Direta'', da TV Globo, em 2000.
Em 25 de outubro de 1991, Panissa foi a júri pela primeira vez e recebeu pena de 20 anos e seis meses de detenção. Em 27 de março de 1992 o empresário foi submetido a novo julgamento, no qual foi condenado a nove anos de prisão em regime fechado. A defesa apelou da sentença e a acusação também recorreu alegando irregularidade na formação do júri. O julgamento foi anulado e um terceiro marcado para o dia 31 de maio de 1995, ao qual Panissa não compareceu. Por isso, teve prisão preventiva decretada.
Vez ou outra, surgem boatos na cidade de que Panissa está morando em São Paulo e que eventualmente vem a Londrina visitar a família. O advogado responsável pela defesa, Antônio Carlos Vianna, afirma que não sabe onde o empresário reside atualmente. ''Sei apenas que o Panissa está no Brasil. Não sei onde ele está morando nem quero saber, porque se ele for preso, não quero ter nenhuma responsabilidade sobre isso (a prisão)'', argumenta.
Vianna diz que Panissa não compareceu ao terceiro julgamento porque ''havia um clima de linchamento''. ''Havia mulheres fazendo panfletagem em frente ao tribunal. Os melhores lugares na platéia foram dados à imprensa e a representantes do Conselho da Mulher'', afirma Vianna. ''O Panissa já foi julgado duas vezes, em menos de dois anos. Não se pode falar em impunidade, ele compareceu e foi submetido ao júri. Ele foi massacrado, humilhado, e era justamente isso que queríamos evitar no terceiro julgamento. Por isso ele não compareceu''.
O advogado alega que há intransigência por parte do Ministério Público (MP). ''Já fiz pedido para que fosse revogada a prisão preventiva do Panissa e não fui atendido. Ele só não quer é passar pela humilhação de chegar algemado. Se revogarem a prisão, ele se apresenta e o júri pode ser marcado'', garante Vianna, que diz ter pouco contato com Panissa. ''Falo com ele uma vez por ano. Ele está levando a vida, mas não tão normalmente quanto gostaria, é claro''.


