‘‘Toda a cidade tem o seu berço ou pelo menos deveria ter. Este é o de Londrina’’. A frase escrita no Marco Zero de Londrina, na rua Theodoro Victorelli, jardim Interlagos (zona leste), não é percebida pela grande maioria da população, que praticamente esqueceu que naquele local, marcado por uma lápide simples, foi o primeiro contato dos homens da Companhia de Terras Norte do Paraná com o que mais tarde viria a ser Londrina.
A cidade, que completa 62 anos de emancipação política hoje, está muito diferente do pequeno povoado que acabou originando Londrina. Localizado próximo ao centro, o Marco Zero conserva um pouco da história da Cidade.
Juntamente com parte da mata e dos fatos que pertencem ao passado, ficou o guarda do Marco Zero, Pedro Barbosa, que há 25 anos trabalha para a Coimbra-Clayton Indústria e Comércio Ltda, antiga Gessy Lever. Aos 58 anos, seo Pedro traz na memória as vezes em que seu amigo, o pioneiro George Craig Smith, aparecia em sua casa pedindo para tomar um pouco da água que brota da bica, localizada no fundo da área do Marco Zero.
‘‘Se existe um lugar importante para Londrina, este local é o Marco Zero. Não existe nada sem passado’’, resume seo Pedro. Ele sustenta que é preciso pensar sobre o futuro da área, em nome da memória da cidade.
Enquanto não surge um projeto de revitalização da área, seo Pedro vive a mesma rotina de 20 anos atrás: cria animais e conserva alguma plantação para consumo próprio. A função dele é proteger a mata e conservar a pouca estrutura existente no local.
Além do patrimônio verde, alí está a primeira mina d’água que abasteceu a cidade. Ao lado da mina fica a casa de máquinas e um antigo reservatório, ambos desativados. Andando pela mata é possível avistar perobas, pau d’alhos, cedros, sapuias e outras espécies.
Desde o ano passado existe um projeto de revitalização da área do Marco Zero, realizado a pedido do secretário de Cultura de Londrina, Alcides Carvalho. A idéia era, em parceria com a empresa Anderson Clayton, proprietária do local, transformar a área em um grande parque de visitação pública. O projeto, que acabou não evoluindo porque mudou a direção da Anderson Clayton, contempla um herbário para estudo de plantas nativas, uma praça e passarelas suspensas para visitação ao interior da mata. O secretário lembra ainda que o retorno do investimento na tranformação do Marco Zero em parque viria em benefício direto à população. ‘‘Seria mais uma área pública próxima ao centro de Londrina.’’

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