Rolândia - ''Fiquei até surpreso ao saber que não está tombado'', responde o prefeito Johnny Lehmann, a quem se transfere naturalmente a missão de evitar o desaparecimento do Hotel Rolândia, marco inicial da cidade oficializado pela Câmara Municipal. Sem disposição para manter o hotel, hoje com uma clientela diminuta, os sete herdeiros do imóvel decidiram vendê-lo, juntamente com o terreno, de 1.800 metros quadrados, por R$ 1,3 milhão.
''Hoje quase ninguém gosta de ficar em hotel de madeira'', observa José Anísio Vasconcelos de Almeida, um dos herdeiros. Ciente do valor histórico, porém, ele sugeriu ao secretário de Desenvolvimento Econômico, Ernesto Nogueira, que a prefeitura compre ao menos a edificação, se achar inviável o terreno também, e a coloque ao lado da estação ferroviária, cujo domínio passará ao Município. ''Pena que a estação não seja a primeira, que era muito bonita, mas derrubaram'', disse Nogueira, encaminhando o repórter ao prefeito.
''Temos muita vontade, mas não temos dinheiro. E não seria simplesmente comprar, mas também restaurar e manter. A nossa dificuldade é essa e temos outras prioridades'', resumiu Lehmann. Entretanto, disse que a ideia de se adquirir apenas a construção do hotel ''não é ruim'' e já está pensando em um projeto que permita obter dinheiro no Ministério da Cultura ou do Turismo, para concretizá-la. ''Mas será que a família (que deseja vender) terá tempo para esperar?''
Uma alternativa seria o comprador da área, caso venha a ser uma empresa, patrocinar a transferência do prédio, com algum incentivo fiscal, permitindo destiná-lo a outra finalidade, segundo o prefeito.
Coincidentemente, o primeiro interessado a se manifestar pensa em um hotel moderno no terreno, é do ramo, mas a negociação ainda está por evoluir, disse José Anísio de Almeida. Situa-se o imóvel na Avenida Getúlio Vargas, trecho urbano da BR-369, presumivelmente na Gleba Roland. O preço é de mercado naquele setor, entre R$ 300 mil e R$ 350 mil as datas de 600 m2, mais o valor estipulado pela edificação.
Interessados na preservação lembram que a primeira casa da família Tkotz em Cambé foi removida inteira e transportada em caminhão do Centro para a periferia; Lehmann disse que ia conversar com Ronald Tkotz, saber se é possível ou não uma operação semelhante envolvendo o hotel. Constata-se, porém, uma construção muito alongada, havendo 15 quartos e outras repartições, aparentemente irremovível sem ser desmontada.
Desde 1934 sucederam-se os proprietários do hotel, vendido por Rafael Antônio Martinez Sanches a Irene Monteiro Pereira e Francisco Ramos Pereira em 1968, relata José Anísio, que se casou com Laura Pereira, uma das filhas. Os outros filhos do casal: Pedro, Abel, Anice, Maria Odete, Maria Teresa e Maria Júlia. Procedente de Iepê (SP), os Pereira se dedicavam ao ramo de restaurante até comprar o Hotel Rolândia, onde residiram, ''há umas edículas nos fundos''.
Francisco morreu 40 anos atrás, o hotel ainda é administrado por pessoa da família e a decisão de vendê-lo veio após a morte de dona Irene, há quatro meses, e o consequente inventário do espólio, explicou José Anísio.

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