Curitiba

Kraw PenasTrambiqueGobbo, que vende obras de arte em leilões televisivos: ‘‘Dívida não é crime. Agora não posso conversar, vou almoçar’’Quem assiste pela TV a cabo os leilões de arte do marchand Marcus Vinicius Gobbo não imagina que por trás de todo o glamour esteja uma pessoa acusada de estelionato e que deve para dezenas de artistas plásticos do Paraná, Santa Catarina e São Paulo. Ontem, o marchand deveria ter prestado depoimento na Delegacia de Estelionato. Ele não compareceu e será indiciado como estelionatário. A dívida do marchand soma mais de R$ 900 mil, desde fevereiro de 1996: R$ 623 mil em títulos protestados, R$ 165 mil em cheques sem fundos e R$ 145 mil em cartão de crédito do Banco do Brasil.
Gobbo paga com cheques sem fundos dele mesmo, da empresa Arte Invest Comércio e Representações de Quadros Ltda (da qual é o proprietário) e, com cheques de Luane Cristina Vicentine e de João Carlos Machado.
Apenas no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) estão listados 257 cheques protestados e devolvidos em cinco páginas, que não foram quitados. O valor mais alto é de R$ 56 mil e o mais baixo de R$ 27,00. No Banco do Brasil existem três ações contra o marchand Marcus Vinicius Gobbo, no valores de R$ 84.974,00, R$ 25.166,00 e R$ 15.295,00. Em nome do próprio Gobbo, o SPC lista 11 cheques protestados. Os valores vão de R$ 8.800,00 a R$ 340,00.
‘‘O Gobbo derrubou muita gente. Só de moldureiros quebrou uns quatro. Para mim, ficou devendo tanto que fiquei até doente e precisei fazer cinco pontes de safena’’, conta o renomado pintor paranaense Antônio Macedo.
Não só artistas plásticos e moldureiros, o marchand Gobbo também não paga os fornecedores de tapetes persa, que vende nos leilões pela televisão. ‘‘Na primeira venda que fizemos para ele, recebemos um cheque para 30 dias. Antes do dia do vencimento desse cheque continuamos fornecendo para os leilões. Quando voltou o primeiro cheque, a bola de neve já estava enorme. Para nos pagar, ele diz que precisa de mercadoria para realizar os leilões. Nos deve R$ 70 mil’’, contabiliza o comerciante de tapetes persa Mohammad Javad Shahidi.
Os fornecedores do marchand se reuniram para contratar o advogado Marcos Antônio Isidoro. Ontem, o marchand e Luciane Cristine estiveram no escritório do advogado. Ao serem abordados pela Folha para explicar o que estaria acontecendo, Gobbo se esquivou e disse apenas que ‘‘dívida não é crime. Agora não posso conversar, vou almoçar.’’
Ontem mesmo o advogado requereu no Fórum Cível uma notificação para que o marchand Marcus Vinicius Gobbo não utilize as notas de venda de leilão com os caracteres profissionais do leiloeiro Hamilton Ribas Von Linsingen. ‘‘O Gobbo apropriou-se das notas indebitamente e, o que é mais grave, está fazendo uso das notas de venda de leilão com numeração desconhecida, mas com a inscrição dos caracteres oficiais profissionais e de fé pública’’, disse o advogado.

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