A chuva não impediu que os sem-terra que saíram terça-feira de Querência do Norte retomassem ontem a marcha até Curitiba. Cerca de 400 pessoas deixaram de manhã a Fazenda Saudade, reocupada na terça-feira. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) manteve pelo menos 200 homens na propriedade. Ontem a marcha foi até Amaporã e a intenção dos organizadores é chegar hoje a Paranavaí, onde será realizado um protesto pela libertação dos líderes presos na cadeia local, Delfino Becker e Celso Anguinhoni.
Um dos coordenadores do MST na região, Paulo Marqui, disse que os sem-terra pretendem acampar em frente à delegacia de Paranavaí para pressionar a liberação dos dois líderes. O delegado-chefe da Subdivisão Policial de Paranavaí, Nabor Sotomaior, já comunicou a intenção dos sem-terra à Justiça e ao comando da polícia em Curitiba. Até ontem, no entanto, não existia nenhuma confirmação se os dois líderes serão transferidos ou mantidos na cadeia de Paranavaí.
Ontem ainda não havia sido definida a ação dos manifestantes. Segundo Marqui, é possível que parte dos sem-terra continue a marcha, já que existe a intenção do MST em reunir acampados de todo o Paraná em Curitiba, entre os dias 15 e 21 de outubro.
Para viabilizar a chegada dos sem-terra em Curitiba, um grupo de quatro coordenadores do MST está visitando as cidades onde os sem-terra vão passar. O objetivo é arrecadar alimentos e garantir um local para os manifestantes passarem a noite.
Nas cidades onde a marcha passar, o MST vai mostrar que a reforma agrária custa muito pouco e traz um grande retorno social. ‘‘Para assentar uma família com pelo menos três adultos o governo precisa de apenas R$ 27 mil. Mas prefere investir R$ 100 mil para criar um emprego na cidade bancando a instalação de montadores de veículos’’, diz um líder.
Segundo Paulo Marqui, a marcha saiu de Querência do Norte com cerca de 2 mil quilos de arroz, 1.200 quilos de feijão e 1.800 quilos de carne, além de outros produtos que serão transportados diariamente dos acampamentos próximos de onde os sem-terra estiverem passando. Um caminhão da Cooperativa de Produção Agropecuária Vitória, dos assentados de Paranacity, foi transformado em cozinha e um outro transporta mil litros de água.
A marcha vai ser engrossada por sem-terra da região de Londrina, na altura de Mauá da Serra, e dos acampados da região de Ponta Grossa. Em Curitiba, os sem-terra pretendem acampar na frente do Palácio Iguaçu, onde vão pedir a saída do secretário de Segurança, Cândido Martins de Oliveira, além da liberdade para os 27 líderes do MST presos em todo o Estado.

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