Londrina

Josoé de CarvalhoDe dia, bandeira vermelhaSem-terra percorrem o centro no último dia de atividades em Londrina: reforçado, grupo retoma hoje marcha rumo ao Palácio IguaçuCerca de 300 sem-terra realizaram, ontem à tarde, uma passeata pelas ruas centrais de Londrina e um ato público no Calçadão. O ato é a principal atividade do grupo que faz parte da Marcha pela Liberdade dos Sem-Terra, pelo Emprego e pela Reforma Agrária e que está em Londrina desde segunda-feira.
Carregando faixas e bandeiras do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), os manifestantes percorreram os três quilômetros que dividem o Palácio do Futsal (onde estão alojados) até o Calçadão em cerca de meia hora. Durante toda a caminhada eles permaneceram em fila dupla e silenciosos.
Um carro de som animava o grupo e os coordenadores gritavam palavras de ordem e falavam da luta do MST pela reforma agrária. ‘‘É uma luta justa e pacífica para exigir do governo a desapropriação de terras e a liberdade dos líderes presos’’, dizia um dos coordenadores.
Não faltaram também críticas ao governador Jaime Lerner (PFL). ‘‘Esta marcha é para denunciar as arbitrariedades do Governo, da falta de uma política séria para a reforma agrária’’, repetiam eles ao microfone.
Um dos coordenadores da marcha, Paulo de Marqui, explicou que o objetivo do ato público foi mostrar à população o que é o MST e quais são seus objetivos. Ontem à noite, os sem-terra fizeram uma confraternização no Palácio do Futsal e hoje, às 7h30, participam da última atividade na Cidade: uma missa celebrada por padres católicos.
O grupo, que saiu de Querência do Norte (Noroeste do Estado) no dia 23 do mês passado, segue hoje para Ortigueira (140 quilômetros ao sul), em seis ônibus cedidos pelo prefeito Antonio Belinati. Marqui diz que o grupo chegou a Londrina com 270 integrantes. ‘‘Vamos sair de Londrina com 320 e em Ortigueira vão se juntar mais 200 trabalhadores.’’
Após dois dias em Ortigueira, eles seguem para Ponta Grossa, onde também permanecem dois dias. A intenção do grupo é chegar em Curitiba dia 22, onde fazem uma grande manifestação em frente a Palácio do Iguaçu. O objetivo é chegar a Curitiba com 800 pessoas. Ao todo, o grupo percorrerá 700 quilômetros.
Fazendo uma avaliação da passagem do grupo por Londrina, Paulo de Marqui afirma ser positiva. ‘‘A recepção foi muito boa, tanto por parte das autoridades quanto da população’’, ressalta. Ao Palácio do Futsal só sobraram críticas. ‘‘O lugar é apertado e temos só dois banheiros, mas estamos acostumados a enfrentar dificuldades.’’

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