Marcha dos sem-terra se enfraquece em P.Grossa
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 13 de outubro de 1997
Giovani Ferreira 
Ponta Grossa
Com sinais de cansaço e bastante enfraquecida, a marcha dos sem-terra encontrou resistência e teve muita dificuldade para cumprir a programação prevista para os três dias em que permaneceu em Ponta Grossa. Sem o apoio da população, dos grupos sindicais e da prefeitura municipal, que praticamente ignorou a passagem dos sem-terra pelo município, a marcha parte hoje para Curitiba lamentando a indiferença com que foi recebida na cidade.
Sempre sozinhos em suas manifestações, portando foices e facões, ontem os sem-terra fizeram uma caminhada pelas principais ruas de Ponta Grossa, promoveram um ato público na Vila Coronel Cláudio e participaram da sessão Câmara Municipal. Pela manhã, um grupo de 30 sem-terras foi doar sangue no Pronto Socorro Municipal. A programação de sábado e domingo ficou prejudicada por causa da chuva.
De acordo com Célio Rodrigues, da coordenação da Regional Sul do Movimento dos Sem-Terra (MST), o principal apoio em Ponta Grossa veio da Igreja, que concedeu alojamentos, locais para acampamento e ainda forneceu alimentação durante os dias em que a marcha permaneceu no município.
Alguns dos sem-terra ficaram doentes. Pelo menos 20 deles passaram pelo Pronto Socorro com sinais de desidratação, febre e resfriado. Todos foram medicados e liberados logo em seguida. O deputado federal Padre Roque Zimermann (PT), que acompanhou a marcha em Ponta Grossa, criticou o prefeito Jocelito Canto (PSDB) pela indiferernça em relação aos sem-terra.
Os sem-terra deixam Ponta Grossa hoje às 8 horas. A intenção deles é caminhar 18 quilômetros por dia. Célio Rodrigues descartou qualquer possibilidade de a marcha chegar em Curitiba antes do dia 22, como previsto desde a saída dos sem-terra de Querência do Norte, no último dia 23.


