Pelo menos mil sem-terra saem hoje em marcha de Querência do Norte (113 quilômetros de Paranavaí) com destino a Curitiba, onde o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) pretende reunir o maior número possível de famílias acampadas em todo o Estado. O primeiro ato dos sem-terra, adiantou ontem um dos coordenadores do MST em Querência do Norte, Paulo Marqui, será em Paranavaí. Ele calcula que a marcha chegue na cidade em três ou quatro dias.
Se os dois líderes presos (Celso Anguinhoni e Delfino Becker) não estiverem em liberdade, os sem-terra farão vigília em frente a delegacia. A partir de Paranavaí, o MST pretende reunir outros sem-terra da região. ‘‘Vamos chegar em Curitiba entre 13 e 14 de outubro, com apoio de companheiros de todo o Estado’’, afirma Marqui.
A principal reivindicação da marcha, segundo ele, é que o governador Jaime Lerner (PFL) cumpra o compromisso firmado com o MST. ‘‘Queremos o fim das desocupações, a liberdade para os líderes presos, o início dos assentamentos e a demissão sumária do secretário de Segurança, Cândido Martins de Oliveira’’, diz Marqui. O MST quer também a saída do ministro da Justiça, Íris Resende.
Para Marqui, a forma como o governo vem agindo contra lideranças do movimento deixa clara a perseguição política. ‘‘O próprio secretário de Segurança autorizou os delegados a prender os líderes, mas não fez nada contra os fazendeiros que usaram a força e violência para desocupar a fazenda Saudade’’, desabafa.
O MST de Querência do Norte quer também a transferência do delegado Mário Sérgio Bradock da cidade.

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