Há quatro anos, a técnica em radiologia Marilia Mercer conheceu o sofrimento, compartilhado por milhares de mulheres em todo o mundo, da depressão após o parto traumático de seu segundo filho. A dor que poderia se transformar em amargura deu lugar a um outro sentimento: o desejo por lutar para que mais mulheres tivessem direito ao parto humanizado.
Por isso, ela começou a estudar, acompanhar a realização dos partos realizados na cidade e decidiu mudar radicalmente de atividade profissional. Hoje, é uma das poucas doulas que atuam em Londrina. Ao todo, três mulheres oferecem o suporte físico e emocional às parturientes no município e região.
São essas mulheres e outras que passaram por experiências semelhantes que participam hoje da ''Marcha pelo parto em casa'', que será realizada no Calçadão, a partir das 12 horas. Segundo a organizadora, é esperada a participação de cerca de 30 pessoas.
''Queremos chamar a atenção da sociedade e, principalmente, das parturientes em relação ao direito que lhes tem sido negado de poder optar sobre como desejam dar à luz seus filhos, ou seja, de respeitar o protagonismo da mulher nesse momento tão importante de sua vida'', afirma Marília, que é idealizadora da marcha em Londrina. ''Além disso, queremos protestar contra o Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj), que pede punição ao obstetra Jorge Kuhn, de São Paulo, por ele realizar e fazer apologia ao parto domiciliar.''
''Não aceitamos isso e queremos que o desejo da mulher de poder ter seu filho da maneira como ela julgar conveniente seja respeitado, seja no hospital, em casa, por meio de uma cesária ou um parto normal, de cócoras ou deitada. Enfim, que a mulher e seu bebê sejam respeitados'', destacou, questionando o crescimento do número de cesárias que têm sido realizadas em Londrina.
''Segundo dados colhidos nos hospitais de Londrina, pelo menos 80% dos partos realizados mensalmente na cidade são cesárias, sendo que o índice preconizado pela Organização Mundial da Saúde deveria girar em torno de 15%.''
''Não conseguimos atingir a meta nem mesmo na Maternidade Municipal, que é uma unidade que prioriza esse tipo de serviço'', analisou.
Serviço:
Marcha pelo parto em casa
Sábado, às 12 horas, em frente ao chafariz do Calçadão

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